Pacto Contra a Fome premia entidades do terceiro setor durante evento em São Paulo

ONGs receberam prêmios em dinheiro e mentorias financeiras; “estamos correndo contra o tempo”, afirma Geyze Diniz, presidente da iniciativa

Duda Cambraia, da CNN, Em São Paulo
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Seis entidades do terceiro setor foram premiadas nesta quinta-feira (26) em evento realizado pelo Pacto Contra a Fome, movimento que tem como propósito contribuir no combate à fome e na redução do desperdício de alimentos no Brasil.

A meta do projeto, segundo a cofundadora e presidente Geyze Diniz, é acabar com a fome no país até 2030 e, em 2040, ter toda a população brasileira bem alimentada.

“Trinta e três milhões de pessoas passam fome no Brasil todos os dias. Essas pessoas não sabem se vão comer hoje e tampouco amanhã. Para mudar essa realidade, nós criamos o Pacto Contra a Fome”, disse Geyze durante o evento.

Vídeo: Pacto Contra a Fome visa garantir comida na mesa de todos até 2030

A premiação aconteceu no Memorial da América Latina e contou com a presença de autoridades e empresários, entre eles o Ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira (PT); o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB); e o secretário de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, Guilherme Piai.

Também estiveram presentes representantes da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Ambipar, XP e Arezzo&co.

Em sua fala no evento, o ministro Paulo Teixeira classificou o combate à fome como sendo um tema da “grande política”. “O presidente [Luiz Inácio] Lula [da Silva] colocou como uma obsessão: que o brasileiro coma pelo menos três vezes ao dia. No Brasil, nós temos que aumentar a produção de alimentos, mas alimentos que vão pra mesa do povo, que são da cultura alimentar do povo”, reforçou o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.

Entre os ganhadores estavam as iniciativas “Orgânico Solidário”, da cidade de São Paulo, e "Quintais Produtivos Agroecológicos Sertanejo", de Betânia, no Piauí.

Um dos fundadores do Instituto Quintais, José Carlos, falou sobre a indignação com a vulnerabilidade no país. “Me marcou muito a situação da fome. Percebemos que, mesmo no chão duro, era possível plantar no sertão. Hoje, o que me motiva é ver que pessoas que me pediam comida lá no início, se tornaram pequenos produtores”.

Na categoria de combate à fome, os prêmios foram para os projetos “Sumaúma: nutrindo vidas”, de Boa Vista (RR), e “Mãos Solidárias”, do Recife (PE). Paulo Mansan, um dos idealizadores do projeto pernambucano, pontua que a fome tem nome, endereço, cor e classe social e relembra: “Escutei de uma menina que a gente auxilia que ela parou de se prostituir por cinco reais por causa do prato de comida doado pela ONG”.

Durante a premiação, KondZilla, empresário e produtor, esteve ao lado de Geyze Diniz, a idealizadora do evento. Eles explicaram a preocupação com a regionalização, escolhendo a dedo as trilhas sonoras de cada ganhador. Além disso, o evento organizou uma performance artística com a participação do ator Eduardo Silva, que representou, por meio da arte, “o tempo” e a urgência para o fim da fome.