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    Parceria entre a Unicamp e o governo federal permite mapear avanço de novas drogas no país

    Laboratório estuda os efeitos dos canabinoides sintéticos, conhecidos como “drogas K”

    Policiais encontraram uma grande plantação de maconha para produção de skunk e K9 em uma das residências no Guarujá, litoral paulista.
    Policiais encontraram uma grande plantação de maconha para produção de skunk e K9 em uma das residências no Guarujá, litoral paulista. Divulgação/Polícia Civil

    Bruno Laforéda CNN

    São Paulo

    Um convênio firmado entre o Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Campinas (CIATox), da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, e a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, permitirá o mapeamento do avanço de novas no país, incluindo as “drogas K”.

    No acordo, está previsto um investimento público de R$ 2,5 milhões durante três anos, até 2025, para que o laboratório consiga adquirir equipamentos mais sofisticados e ampliar pesquisas para outras regiões brasileiras.

    O mapeamento foi iniciado a partir do doutorado da farmacêutica Kelly Francisco da Cunha. Os pesquisadores percorreram diversas festas e festivais de música eletrônica em São Paulo, Minas Gerais e na Bahia.

    Nos eventos, foram coletadas amostras da saliva dos frequentadores, que participaram do projeto como voluntários e responderam a um questionário anônimo no qual relatavam quais substâncias tinham consumido nas 24 horas anteriores ao teste.

    Em seguida, todo o material passou pela análise laboratorial. Nesta etapa, 29% das amostras correspondiam a novas substâncias psicoativas, sendo mais comum a ketamina.

    O CIATox também recebe drogas apreendidas pela Polícia Civil de São Paulo e pela Polícia Federal, com autorização judicial para análise das substâncias e, posteriormente, a destruição do material. Pelo menos 120 substâncias diferentes podem ser identificadas no laboratório de análises do CIATox em um curto espaço de tempo.

    Com o aporte do governo federal, as análises poderão ser mais rápidas e precisas, e o mapeamento poderá se estender a mais estados brasileiros. O incremento vem em um momento em que as autoridades de saúde e segurança pública convivem com o avanço das chamadas “drogas K”.

    “Estamos vendo hoje muitos casos de intoxicação por essas drogas K, o que a gente não via antigamente, porque a potência delas, hoje, nessa 11ª geração de canabinoides sintéticos, é muito maior do que nas primeiras gerações”, afirmou Rafael Lanaro, responsável por análises toxicológicas do Ciatox, em entrevista à TV Unicamp.

    De acordo com o mais recente informe sobre a situação dos canabinoides sintéticos no Brasil, lançado este mês pela Senad, o estado de São Paulo lidera as apreensões de “drogas K” no país.

    Dados encaminhados pelo Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) da Polícia Civil do Estado de São Paulo indicam que as apreensões das “drogas K”, somente nos primeiros quatro meses de 2023, atingiram um total de mais de 15 kg, montante superior ao observado nos 12 meses dos anos anteriores, de 2021 e 2022, que tiveram 5,7 kg e 11,7 kg apreendidos, respectivamente.

    Estados como Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima e Tocantins já reportaram ao menos uma apreensão de “drogas K” nos últimos três anos.

    O relatório produzido pela Senad também mostra um crescimento na proporção dos canabinoides sintéticos nos casos suspeitos de intoxicação por drogas. Em 2021, as “drogas K” respondiam por apenas 0,4% do total de casos de intoxicação. Em 2023, até o mês de junho, a proporção chegou a 13%, com 493 casos reportados no país.

    Segundo dados levantados pelo CIATox da Unicamp, a maioria dos usuários de “drogas K” tem menos de 26 anos de idade.