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    Parentes e amigos se despedem de Sérgio Paulo Rouanet: “Lutou até o final pela cultura”, diz filha

    Corpo do diplomata e autor da “Lei Rouanet” foi velado nesta terça-feira na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro

    Velório de Sergio Paulo Rouanet, no Rio de Janeiro
    Velório de Sergio Paulo Rouanet, no Rio de Janeiro Cleber Rodrigues/CNN

    Cleber Rodriguesda CNN

    No Rio de Janeiro

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    O velório do diplomata e criador da Lei Rouanet, Sérgio Paulo Rouanet, foi marcado por homenagens de parentes, amigos e personalidades da arte e da cultura nacional.

    Filha do expoente da cultura e diretora do Instituto Rouanet, Adriana Rouanet lembrou da dedicação de seu pai pelo acesso à cultura.

    “Ele lutou até o final pela cultura e via com tristeza o que está acontecendo com o tema hoje. A vontade dele é que a batalha continue, que o direito à produção cultural seja garantido e que as pessoas não sejam tão polarizadas. O desejo dele é que elas (pessoas) se unam porque o Brasil é um país de todos. A cultura é de todos”, disse Adriana.

    A atriz e imortal Fernanda Montenegro afirmou que a Lei de Incentivo à Cultura é um dos maiores legados de Sérgio Paulo Rouanet ao Brasil.

    “O termo Lei Rouanet será, para sempre, uma expressão de resistência no que a cultura das artes possa ter de mais sublime”, falou à CNN.

     

    Sergio Paulo Rouanet nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 23 de fevereiro de 1934 / Reprodução/Instituto Rouanet

    A Lei de Incentivo à Cultura foi criada por Sérgio Paulo Rouanet, em 1991, durante o governo Fernando Collor de Mello. Em 2019 ela foi alterada pelo governo Jair Bolsonaro, que alterou o valor e as regras.

    No escopo original, a lei estimula produtores culturais a buscarem investimentos no setor privado. Em troca, as empresas conseguem descontar as parcelas no imposto de renda, através da dedução.

    Para o presidente da Academia Brasileira de Letras, Merval Pereira, a Lei Rouanet foi desvirtuada nos últimos anos.

    “A Lei Rouanet, que ficou marcada com seu nome, é fundamental no desenvolvimento da cultura brasileira. No entanto, ela foi desvirtuada nesse governo que deu uma conotação equivocada ao que a lei representa”, ponderou Merval.

    Ao longo da cerimônia de despedida, amigos e parentes também destacaram a importância da cultura.

    “As pessoas têm que entender o que é a cultura. Ela é algo que abrange todos nós, todos fazemos parte dela. Seja quem produz um objeto de cerâmica, um contador de histórias, escritores. Cultura não é uma coisa dos outros, das elites, é de todos nós. Por isso que meu pai questionava essa divisão entre cultura nacional popular e cultura universal. Cultura é um todo”, disse Luiz Paulo Rouanet, filho do diplomata.

    O corpo de Sérgio Paulo Rouanet foi velado nesta terça-feira (05), no Salão dos Poetas Românticos, na ABL, de onde era membro e ocupava a cadeira de número 13.

    Além de diplomata, Sérgio Paulo Rouanet era filósofo, professor universitário, tradutor e ensaísta.

    Na vida pública, foi secretário de Cultura no governo Collor e atuou fortemente na diplomacia entre países em desenvolvimento.

    O diplomata morreu no último domingo (03), aos 88 anos, em decorrência de complicações causadas pela Doença de Parkinson.

    Rouanet deixa esposa, a filósofa Barbara Freitag, e três filhos.

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