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    Pela carga de violência, maioria não se identificava como indígena, avalia escritor

    À CNN Rádio, Cristino Wapichana analisou as razões de o Censo 2022 ter registrado um aumento de 88,82% da população indígena em doze anos

    Para o escritor, músico, compositor e cineasta Cristino Wapichana, é necessário voltar no tempo para entender as razões para esse aumento
    Para o escritor, músico, compositor e cineasta Cristino Wapichana, é necessário voltar no tempo para entender as razões para esse aumento Divulgação

    Ricardo Gouveiada CNN

    Questões de conforto e conscientização podem estar por trás do salto registrado na população indígena brasileira entre os censos de 2010 e 2022. O número foi de 896.917 para 1.693.535 no período.

    Para Cristino Wapichana, escritor, músico, compositor e cineasta, é necessário voltar no tempo para entender as razões para esse aumento. A Constituição de 1988 é vista por ele como um marco nessa análise. Wapichana também aponta que indígenas fora de comunidades não tinham o hábito de se autodeclarar nas pesquisas.

    “Da década de 80 para trás, os indígenas não eram contados, especialmente os que moravam nas cidades. A maioria, pela carga de violência imposta desde o início, não se identificava como indígena”, afirmou em entrevista à CNN Rádio.

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    O escritor atribui o aumento da autodeclaração ao surgimento de associações de indígenas nas metrópoles, assim como a políticas públicas como a instituição de cotas para essa população em concursos e universidades.

     

    “Ser indígena é carregar um fardo muito grande, um fardo que a literatura e o cinema trouxeram. Desde o início foi pregado que o indígena é preguiçoso, é sujo e atrapalha o progresso”, alega.

    “Eu mesmo só me identifiquei como indígena a partir dos 25 anos. Eu sou, minha avó é, minha mãe é, então por que não? A gente tem que batalhar para continuar sobrevivendo, buscando esse reconhecimento da sociedade brasileira,” completa o escritor.

    A abordagem dos recenseadores também mudou na pesquisa feita em 2022, assim como o mapeamento das localidades indígenas feito pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). E mesmo assim, Cristino Wapichana relata que os métodos não estão livres de falhas.

    “O Censo nunca me encontrou, nem veio à minha casa. Eu que encontrei um recenseador na rua, parei e coloquei meus filhos neste novo Censo”, relata.

    A maior parte da população indígena revelada pelo Censo está na Região Norte (753.357), seguida por Nordeste (528.800), Centro-Oeste (199.912), Sudeste (123.369) e Sul (88.097).

    O Amazonas (490.854) é o estado com a maior população indígena do país, seguido por Bahia (229.103), Mato Grosso do Sul (116.346), Pernambuco (106.634) e Roraima (97.320). Somados, esses cinco estados concentram 61,43% da população indígena do Brasil.

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