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    Pesquisadores ressaltam contexto histórico que levou à Independência do Brasil

    Disputa entre os poderosos da época tem diferentes marcos, como a fuga da família real portuguesa em 1807 para a colônia em solo brasileiro

    Dom Pedro I
    Dom Pedro I Reprodução/Ministério da Justiça e Segurança Pública

    Agência Brasil

    Pesquisadores da história do Brasil e de Portugal constroem diferentes olhares ao contexto da Independência do Brasil, que instiga o público há praticamente dois séculos. Desde o ensino fundamental, aprende-se que essa “série” não está relacionada unicamente à celebração do 7 de Setembro, quando foi proclamada a Independência, motivo de feriado nacional.

    Para entender esse marco histórico, garantem os especialistas, é preciso rever causas, eventos antecedentes e efeitos. Enfim, “maratonar” os eventos que precedem e sucedem a alegoria do grito do Ipiranga, registrada pelo pintor Pedro Américo décadas depois, em 1820.

    Sem telefonemas ou mensagens instantâneas para organizar os atos entre pessoas que estão distantes, as ordens e os documentos do Brasil colônia atravessam os caminhos entre metrópole e colônia por cartas. Isso fazia com que a comunicação demorasse meses, já que o barco a vapor ainda era um experimento incapaz de enfrentar os mares.

    A distância entre os países criava ruídos e diminuía o peso de decisões, decretos feitos entre as cortes no Brasil e em Portugal. Todos falavam português, mas a demora com que as informações atravessavam os mares, em geral, de dois a três meses, retirava as informações de contexto.

    Para especialistas, os episódios estão todos associados uns aos outros, entrelaçados em seus significados. Inclusive, aos sentimentos de brasilidade do público.

    “Quando pensamos ter a necessidade de tratar do que aconteceu com o Brasil há 200 anos, é porque encontramos algum laço entre o presente e o passado. Esse vínculo se estabelece como forma de comemorar e de lembrar. A razão para contar essa história é para criar vínculos de pertencimento”, afirma o historiador Deusdedith Rocha Junior.

    Os referenciais desse “pertencimento”, conforme explica Deusdedith, devem levar em conta que o que vai ser lembrado nesse roteiro é fruto de uma “disputa”. O conflito permanente está na raiz de todo o processo.

    A disputa entre os poderosos da época tem diferentes marcos, como a fuga da família real portuguesa nos dias finais de novembro de 1807 para a colônia Brasil, aonde chegaria somente em 22 de janeiro de 1808. Dom João VI, o príncipe regente português, não viu outra saída, depois que o país foi ameaçado de invasão pelas tropas do imperador francês Napoleão Bonaparte, já que Portugal não havia aderido ao bloqueio continental contra a Inglaterra.

    Junto a ele, toda a família se dirigiu ao território na América do Sul, incluindo a mãe, Maria, a esposa, Carlota Joaquina, os filhos, Pedro e Miguel, e outros integrantes. Ao saber que os poderosos fugiam, a população portuguesa teria atacado os navios reais inclusive com pedras. Para os pesquisadores, os caminhos da independência brasileira começam a tomar forma nesse episódio inusitado.

    Confira também por que o Dia da Independência do Brasil é commorado em 7 de setembro.