Petrópolis: Corpo de criança é trocado no IML após equívoco no reconhecimento

Duas Helenas e as famílias que tiveram de lidar com uma segunda camada da tragédia na cidade

Equipes de resgate trabalham em locais com possíveis vítimas de soterramento, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, na sexta-feira, 18 de fevereiro
Equipes de resgate trabalham em locais com possíveis vítimas de soterramento, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, na sexta-feira, 18 de fevereiro WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

Iuri CorsiniCleber Rodriguesda CNN

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A tragédia em Petrópolis tem deixado marcas irreparáveis por toda a cidade. Mas algumas situações têm aumentado a dor de parentes daqueles que perderam a vida.

Nesta quinta-feira (17), o Instituto Médico Legal (IML) trocou, por engano, o corpo de duas meninas de mesmo nome – Helena. A situação aconteceu quando a família da Helena de 1 ano e 9 meses foi receber o corpo da criança para que fosse feito o velório. Ao chegar lá, o corpo era de uma outra menina, que tinha entre 9 e 11 anos.

Segundo a família da Helena mais nova, o erro aconteceu após um reconhecimento equivocado da família da outra criança.

“Graças a deus um inspetor da polícia civil abraçou nossa causa e explicou a situação pra gente. A outra família acabou reconhecendo a nossa Helena como sendo a deles e, por isso, houve essa confusão toda, gerando esse erro no reconhecimento e na documentação do IML”, disse Guilherme Felicíssimo, padrinho da criança.

A Polícia Civil confirmou à CNN oficialmente a versão dita à família no Instituto. Segundo a corporação, na hora do reconhecimento, o pai de uma das Helenas a identificou como sendo sua filha, mas, na verdade, a criança era da outra família. A polícia enfrenta dificuldade para fazer a liberação dos corpos, pois muitos chegam irreconhecíveis.

A CNN está buscando contato com a família da Helena mais velha, mas ainda não conseguiu.

Guilherme disse que a mãe de Helena, Gisele, estava desde ontem no IML aguardando a resolução da burocracia para liberação do corpo para que a criança pudesse ser velada e enterrada. Segundo ele, o IML informou que não poderia liberar o corpo por conta do horário, já que não seria mais possível realizar o enterro naquele momento.

“Aí hoje fomos lá (no IML) achando que a situação seria resolvida de forma rápida, fomos lá cedo, e na hora de liberar o corpo, mandaram o corpo errado. O nome era o mesmo, mas na hora de cadastrar eles acabaram cadastrando a nossa Helena como uma outra criança”, relatou o padrinho da menina.

Depois de muita espera e sofrimento, a Helena de 1 ano e 9 meses foi enterrada às 16h desta sexta-feira (18), em Petrópolis. O velório ocorreu pouco antes, com o caixão fechado, devido às condições do corpo. Guilherme e família agora esperam seguir adiante e reconstruir a vida, apesar da inestimável perda.

Helena estava em casa, na rua dos Ferroviários, no Morro da Oficina, quando houve o deslizamento de terra. A casa dela era no pé do morro, já quase no asfalto. Além da criança, sua avó e sua madrinha também perderam a vida.

Após a tempestade de terça-feira (15), que transformou a cidade imperial de Petrópolis em um cenário devastador, já foram registradas oficialmente 129 mortes, 218 desaparecidos e 849 desabrigados. As buscas continuam e a previsão para os próximos dias é de mais chuva no município.

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