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    PF da Bahia instaura inquérito para apurar morte da líder quilombola Bernadete Pacífico

    Bernadete foi assassinada a tiros dentro do Quilombo Pitanga dos Palmares, onde seu filho Binho do Quilombo havia sido assassinado 6 anos atrás

    Flávio IsmerimElijonas MaiaManoela CarlucciAnderson OliveiraVinícius BernardesCarolina FigueiredoNaira Ziteida CNN

    A Superintendência Regional da Polícia Federal da Bahia instaurou um inquérito, nesta sexta-feira (18), para investigar o homicídio da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira.

    Ela foi morta a tiros na noite da quinta-feira (17), anos 72 anos, dentro do Quilombo Pitanga dos Palmares, na cidade baiana de Simões Filho, onde morava. A PF da Bahia também apura a morte de Binho do Quilombo (Flávio Gabriel Pacífico dos Santos), filho de Bernadete assassinado com 14 tiros também no quilombo há 6 anos.

    “Todos os esforços estão sendo empregados para a devida apuração da autoria dos homicídios e as investigações seguem em sigilo”, afirmou o órgão em nota enviada à CNN.

    Os suspeitos são dois homens que teriam fugido do local em uma motocicleta usando capacetes, conforme informado pela Polícia Civil do estado.

     

    Quem era a líder quilombola?

    Bernadete Pacífico era coordenadora nacional da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq) e, segundo nota emitida pela entidade, dedicou sua vida “à preservação da cultura, da espiritualidade e da história de seu povo”.

    No texto, a Conaq lembra que o assassinato de Binho do Quilombo, filho da líder, segue sem resposta, a exemplo de homicídios cometidos contra outras lideranças quilombolas. “Junta-se à injustiça mais uma vítima da violência enfrentada por aqueles que ousam levantar suas vozes na defesa dos nossos direitos ancestrais”, afirma.

    “Mãe Bernadete, agora silenciada, era uma luz brilhante na luta contra a discriminação, o racismo e a marginalização. Atuava na linha de frente para solucionar o caso do assassinato do seu filho Binho e bravamente enfrentou todas as adversidades que uma mãe preta pode enfrentar na busca por justiça e na defesa da memória e da dignidade de seu filho.”

    Autoridades reagiram à morte da líder quilombola

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e os ministros Silvio Almeida, Anielle Franco e Sonia Guajajara foram algumas das autoridades que prestaram homenagem a Bernadete Pacífico.

    O chefe do Executivo expressou “pesar e preocupação” com o crime, lembrou o histórico da quilombola como secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial na cidade de Simões Filho e afirmou aguardar uma “investigação rigorosa do caso”.

    “Meus sentimentos aos familiares e amigos de Mãe Bernadete”, disse Lula.

    A ministra Rosa Weber lembrou do encontro que teve com a líder há menos de um mês, onde ouviu Bernadete falar sobre a violência a que os quilombolas estão expostos.

    “É absolutamente estarrecedor que os quilombolas, cujos antepassados lutaram com todas as forças e perderam as vidas para fugir da escravidão, ainda hoje vivam em situação de extrema vulnerabilidade em suas terras. Assim como é direito de todos os brasileiros, os quilombolas precisam viver em paz e ter seus direitos individuais respeitados”, afirmou a presidente do STF.

    Jerônimo Rodrigues chamou Bernadete de “amiga e grande liderança quilombola da Bahia” e afirmou ter determinado que as Polícias Militar e Civil se deslocassem de forma imetiata ao local para apurar o crime.

    A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, disse que “o assassinato de uma líder religiosa é uma violência contra todo um povo”. Bernadete era yalorixá e foi morte dentro de seu terreiro, que ficava no Quilombo Pitanga dos Palmares.

    “O ataque contra terreiros e o assassinato de lideranças religiosas de matriz africana não são pontuais. Mãe Bernardete tinha muitas lutas, e a luta pela liberdade e direitos para todo o povo negro e de terreiro tranversalizava todas. Que os orixás acolham Mãe Bernardete”, disse a irmã de Marielle Franco, assassinada em 2018.

    Silvio Almeida, ministro dos Direitos Humanos, expressou solidariedades aos amigos e familiares e afirmou ter enviado uma equipe da pasta para o município de Simões Filho.

    A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, afirmou que seguirá combatendo toda perseguição religiosa e de comunidades tradicionais. “Seu legado seguirá vivo!”

    Veja também – Brasil tem 1,3 milhão de quilombolas, diz Censo do IBGE