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    Greve de pilotos e comissários leva a 22 voos cancelados nesta segunda

    Aeronautas pedem reajuste dos salários e melhoria nas condições de trabalho; além dos cancelamentos, dezenas de voos estão atrasados

    Evelyne LorenzettiFabrício JuliãoLudmila Candalda CNN

    em São Paulo

    Pilotos e comissários realizaram uma greve nesta segunda-feira (19), das 6h às 8h (horário de Brasília. A paralisação aconteceu nos aeroportos de São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre e Fortaleza.

    Até o início da tarde, 22 voos foram cancelados e dezenas atrasados devido à greve, segundo as últimas atualizações das concessionárias dos aeroportos.

    A Infraero comunicou que somente no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, foram registrados 8 atrasos e 11 cancelamentos, entre partidas e chegadas.

    Já no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, a Infraero disse que foram registrados 34 atrasos e oito cancelamentos, também computando partidas e chegadas.

    Segundo o Aeroporto de Brasília, dois voos foram cancelados, além de 11 atrasos em voos que decolariam da capital e outros 14 que estavam previstos para pousarem na cidade. Os voos que foram cancelados partiriam de Salvador e Fortaleza com destino a Brasília.

    No aeroporto Afonso Pena, em Curitiba, um voo foi cancelado, segundo a Infraero.

    Mais cedo, o GRU Airport informou que dez voos foram afetados com a paralisação e estavam atrasados. A concessionária do Aeroporto de Guarulhos disse que no momento a situação é estável.

    Os trabalhadores recusaram uma proposta de retorno ao trabalho feita junto ao Tribunal Superior do Trabalho e aderiram à convocação do Sindicato Nacional dos Aeronautas. De acordo com decisão do Superior Tribunal do Trabalho, TST, 90% dos aeronautas devem continuar trabalhando.

    O Sindicato dos Aeronautas reivindica a recomposição das perdas inflacionárias salariais, além de ganho real, “tendo em vista os altos preços das passagens aéreas que têm gerado crescentes lucros para as empresas”.

    A categoria também requereu melhorias nas condições de trabalho para renovação da Convenção Coletiva de Trabalho, como a definição dos horários de início de folgas e proibição de alterações nas mesmas, além do cumprimento dos limites já existentes do tempo em solo entre etapas de voos.

    “Em respeito à sociedade e aos usuários do sistema de transporte aéreo, os aeronautas farão a paralisação somente por duas horas, sendo assim todas as decolagens iniciarão após às 8h. No entanto, todos os voos com órgãos para transplante, enfermos a bordo, e vacinas, não serão paralisados”, declarou o sindicato.

    Até o momento, a GRU Airport informou que dez voos estão atrasados no Aeroporto de Guarulhos. A concessionária orienta os passageiros a procurar as companhias aéreas para saber o status dos voos.

    Em nota, a Latam disse que está em negociação com o Sindicato Nacional dos Aeronautas desde o início de setembro para a construção do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e aguarda convocação de assembleia pelo Sindicato para votação pelos tripulantes da companhia.

    Já a GOL afirmou à CNN que não vai comentar sobre a greve e, por se tratar de um assunto setorial, se posiciona por meio do SNEA (Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias), que deverá ser consultado. A Azul também disse que não vai se manifestar.

    Ao falar sobre os reajustes pedidos pelos aeronautas, o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA) disse que o preço das passagens foi fortemente afetado nos últimos anos por conta de pandemia, conflitos na Europa, desvalorização do real frente ao dólar e aumento do preço do petróleo como justificativa por não ter havido os aumentos solicitados.

    Segundo o SNEA, o querosene de aviação (QAV) aumentou 118% na comparação com o ano de 2019 e atualmente representa mais de 50% dos custos, que têm uma parcela de cerca de 60% dolarizada.

    “Desde a primeira reunião de negociação, o SNEA assegurou todos os direitos da Convenção Coletiva e ao longo do processo negocial, se mostrou aberto ao diálogo sempre com respeito aos profissionais que fazem parte do setor aéreo”.

    O sindicato disse que, desde que a proposta conferida foi reprovada, não recebeu nenhuma proposta do SNA.

    “O SNEA acredita que as categorias profissionais podem defender seus interesses por todos os meios legítimos, desde que esgotada a via negocial e observada a legalidade”, pontuou.