PM acusado de matar lutador vira réu por homicídio triplamente qualificado

Tribunal de Justiça de São Paulo afirmou que foi decretada prisão preventiva ao policial

Anna Gabriela Costa, Manoela Carlucci e Lucas Iotti, da CNN, em São Paulo
Leandro Lo
Lutador de jiu-jítsu Leandro Lo, que foi assassinado durante uma briga em São Paulo  • Leandro Lo/Instagram/Reprodução
Compartilhar matéria

O policial militar Henrique Otávio de Oliveira Velozo, acusado pela morte do lutador de jiu-jítsu Leandro Lo, tornou-se réu por homicídio triplamente qualificado após a Justiça aceitar denúncia do Ministério Público.

O PM teve prisão preventiva decretada, segundo confirmação do Tribunal de Justiça de São Paulo, nesta segunda-feira (5).

A CNN entrou em contato com a defesa do policial militar, que afirmou: "a denúncia é uma hipótese acusatória que destoa completamente do que foi produzido no inquérito policial e o que será desvelado na investigação judicial".

"A conclusão do inquérito policial se deu de forma açodada, uma vez que sequer aguardou-se a produção do laudo da reprodução simulada dos fatos que, entre outras coisas, apresentou inúmeras contradições com os depoimentos das testemunhas", acrescentou a nota da defesa do acusado.

O caso

Leandro Lo foi baleado na cabeça durante um show no Clube Sírio, em São Paulo, na madrugada de 7 de agosto.

De acordo com testemunhas, o lutador de jiu-jítsu estava com cinco amigos no clube, quando o policial, que também pratica artes marciais, se aproximou e começou a provocar o grupo, pegando as bebidas que estavam na mesa. Leandro reagiu e pediu que ele deixasse o local.

Segundo o advogado da família do lutador, Ivã Siqueira Júnior, durante a discussão, o lutador foi “peitado” pelo PM, por isso o imobilizou com técnicas de jiu-jítsu. Após se afastar, o policial sacou uma arma e atirou.

Ainda segundo o defensor, testemunhas relataram que o agressor teria chutado duas vezes a cabeça de Leandro, que já estava caído no chão, desacordado.

O atleta foi socorrido e levado ao Hospital Municipal Arthur Saboya, no Jabaquara, na zona sul de São Paulo, mas não resistiu e teve a morte cerebral declarada ainda na manhã de domingo (7).