PM que matou estudante de medicina é indiciado por homicídio doloso

SSP informou que os dois PMs vão permanecer afastados até conclusão das investigações, que incluem análise de imagens de câmeras corporais

Rafael Saldanha, da CNN, Mariana Grasso, da CNN*
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O policial militar que matou o estudante de medicina na zona Sul de São Paulo foi indiciado por homicídio doloso.

A informação foi divulgada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo, na manhã deste sábado (23). Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos, morreu nessa quarta-feira (20), após ser baleado pelo PM em um hotel na Vila Mariana, em uma abordagem por dois policiais.

Entenda porque PM que matou estudante responderá por homicídio doloso

O homicídio é caracterizado como doloso quando há a intenção de matar. Os dois PMs envolvidos já foram afastados de suas funções, após prestarem depoimento à Polícia Civil e à Corregedoria da Polícia Militar de SP.

A SSP informou que os dois policiais vão permanecer afastados até a conclusão das investigações, que incluem a análise das imagens captadas pelas câmeras corporais. 

A secretaria já havia confirmado o indiciamento dos agentes por homicídio, nessa quinta-feira (21). Porém, a caracterização do crime como doloso só foi confirmada hoje.

Veja a nota na íntegra da SSP. 

"Todas as circunstâncias são apuradas pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar. Os policiais envolvidos já prestaram depoimento, e o agente responsável pelo disparo foi indiciado por homicídio doloso no Inquérito Policial Militar (IPM). Ambos permanecerão afastados de atividades operacionais até a conclusão das investigações, que incluem a análise das imagens captadas pelas câmeras corporais".

Entenda o caso

Antes de ser abordado pelos PMs, o jovem deu um tapa numa viatura da Polícia Militar e, em seguida, começou a ser perseguido. Veja o vídeo da ação do estudante aqui. 

Segundo o boletim de ocorrência obtido pela CNN, os policiais atenderam uma chamada no local e relataram que Marco Aurélio, conhecido como “Bilau”, estava “bastante alterado, agressivo, e resistiu à abordagem policial, entrando em vias de fato com a equipe.”

Durante o confronto, ainda segundo o documento, Marco Aurélio teria tentado pegar a arma de um dos policiais. O soldado, então, disparou contra o estudante.

A versão contada pelos PMs não condiz com as imagens das câmeras de segurança do hotel, que mostram que o estudante não tentou pegar o revólver do policial.

Marco Aurélio foi socorrido ao Hospital Ipiranga, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo o B.O, todos os policiais militares portavam câmeras corporais.

O caso foi registrado como homicídio decorrente de intervenção policial. A pistola usada no disparo, uma Glock calibre.40, foi apreendida, e o local passou por perícia.