Polícia Federal deflagra operação que investiga crimes contra a Petrobras

Agentes cumprem dois mandados de busca e apreensão, em Niterói, no Rio de Janeiro, expedidos pela 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, no Paraná

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Vianey BentesRafaela Larada CNN

em Brasília e São Paulo

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A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (21), a Operação Laissez Faire, Laissez Passer para investigar supostos crimes cometidos na antiga diretoria de abastecimento da Petrobras.

Cerca de dez agentes cumprem dois mandados de busca e apreensão, em Niterói, no Rio de Janeiro, expedidos pela 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, no Paraná.

Segundo dirigente de uma empreiteira nacional, que veio a fechou acordo de colaboração premiada com a Justiça, foram realizados pagamentos de vantagem indevida para o então diretor de abastecimento da estatal brasileira, bem como por agente político que havia sido responsável pela sua indicação para aquele cargo dentro estatal.

O nome dos investigados não foi revelado pela PF. Segundo os agentes, pagamentos ilícitos teriam sido operacionalizados por um empresário investigado que, para ocultar e dissimular a origem espúria dos recursos, teria celebrado contratos de prestação de serviços fictícios com a empreiteira, bem como emitido notas fiscais falsas.

Os recursos seriam então destinados para o custeio de despesas pessoais do diretor da estatal. De acordo com as investigações, benfeitorias que teriam sido realizadas no apartamento do então diretor de abastecimento.

Segundo a PF, com o intuito de auxiliar na resolução comercial de pendências contratuais que a empreiteira tinha junto à estatal, pagamentos teriam também sido operacionalizados em benefício do agente político responsável pela indicação do diretor de abastecimento, mediante entregas de valores em espécie para a chefe de gabinete do parlamentar.

O avanço das investigações, bem como as provas apresentadas pelo empreiteiro colaborador da Justiça, revelou que parte dos recursos recebidos pelo operador investigado eram destinados à secretária do diretor de abastecimento, que também é investigada pela PF.

Investigado pagou mensalidades de faculdade do filho da secretária, diz PF

Diversas mensagens de e-mail, SMS, bem como análise de documentos e extratos de pagamentos obtidos durante a investigação revelaram que a funcionária, valendo-se de sua posição, solicitava vantagens indevidas ao operador, que eram atendidas pelo investigado e se materializavam na quitação de mensalidades (pagamentos de boletos de estabelecimento de ensino superior) de curso do filho da investigada.

Tais despesas eram quitadas pelo investigado com os recursos obtidos com o acerto mantido com o empreiteiro colaborador da Justiça.

As medidas judiciais cumpridas nesta quinta visam elucidar a possível prática de crimes narrados pelo colaborador, bem como aprofundar o rastreamento de recursos e bens de origem criminosa.

Segundo a PF, a investigação policial recebeu o nome de Operação Laissez Faire, Laissez Passer por conta da aparente banalidade e perspectiva de impunidade com que crimes teriam sido praticados nas mais diversas esferas hierárquicas da Petrobras.

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