Prefeito de São Gonçalo diz que extinção de Secretaria de Cultura foi erro

Edição do Diário Oficial deste domingo nomeia o vereador Lucas Muniz para o comando da pasta. Em 2020, ele apresentou um projeto que pedia o fim da secretaria

Foto: Reprodução: Rafaela Batista / Assessoria de Comunicação

Stéfano Salles, da CNN no Rio

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Dois dias depois de publicar a primeira edição do Diário Oficial de seu governo, na prefeitura de São Gonçalo (Rio de Janeiro), o prefeito Capitão Nelson (Avante) defende que a extinção da Secretaria Municipal de Cultura foi um erro. Edição deste domingo da publicação nomeia o vereador Lucas Muniz (PP) para o comando da pasta.

O vereador, de 27 anos, diz ter sido pego de surpresa com a primeira edição do ano do Diário Oficial, e alega que já tinha sido convidado pelo prefeito, antes da posse, para comandar a pasta, na segunda cidade mais populosa do estado, com cerca de 1,1 milhão de habitantes.

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“Fui surpreendido, assim como todos os gonçalenses, com o D.O. que extinguiu a Cultura, pois havia sido convidado pelo prefeito Capitão Nelson para assumir a pasta. Ao ligar para o prefeito, ele me garantiu que estava mantido o convite e que contava comigo à frente da Cultura para realizarmos um trabalho jamais visto em nossa cidade”, afirmou Muniz, em nota divulgada pela prefeitura. 

Curiosamente, em 2020, o vereador apresentou um projeto na Câmara de Vereadores de São Gonçalo no qual, entre outros órgãos, pedia a extinção da Secretaria Municipal de Cultura, o órgão ao qual vai assumir o comando a partir de segunda-feira. 

Na ocasião, a justificativa apresentada envolvia a pandemia do novo coronavírus. “Diante deste cenário, tendo em vista que não temos a menor previsão do retorno das atividades esportivas e culturais da cidade, considerando que essas atividades provavelmente serão as últimas a retornarem, considerando as dificuldades sofridas devido a pandemia”, diz o projeto. 

Procurado pela reportagem, o secretário manteve as justificativas sobre o projeto, mas alega que a palavra “extinto” foi um erro de redação de seu gabinete. Que, na verdade, a intenção era paralisar as atividades. 

“Tinha muitos funcionários comissionados, todos cabos eleitorais, ganhando salários ali em meio a uma pandemia e sem trabalhar. Eu era um vereador de oposição, e por isso apresentei essa proposta”, explica. 

Questionado sobre o fato de a área cultural precisar de suporte especial durante a pandemia, justamente pela ausência de eventos, o que provocou uma crise no segmento, para empresas, artistas e produtores, o secretário disse que a iniciativa foi um erro. 

“Fui procurado na época por artistas e pelo setor depois de apresentar o projeto, entendi que foi um erro e, por isso, ele foi retirado de pauta e não chegou a ser votado”, afirmou.

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