Problema do racismo no esporte só será resolvido com debate, diz ex-goleiro Aranha

À CNN Rádio, o ex-atleta, que foi vítima de racismo, afirmou que as redes sociais e as câmeras ajudaram a denunciar os casos

Mário Lúcio Costa, conhecido como Aranha, atuou como goleiro do Santos entre 2011 e 2015
Mário Lúcio Costa, conhecido como Aranha, atuou como goleiro do Santos entre 2011 e 2015 Foto: Ricardo Saibun/Santos FC

Amanda GarciaTalita AmaralLetícia Vidicada CNN

São Paulo

Ouvir notícia

Em 2014, o então goleiro do Santos Mário Aranha foi vítima de racismo por uma torcedora do Grêmio. Ele denunciou o caso e se tornou uma voz contra o racismo no esporte.

Na última semana, dois casos foram registrados contra os jogadores Gabigol, do Flamengo, e Vitinho, formado na base do São Paulo.

Em entrevista à CNN Rádio, no quadro CNN no Plural, Aranha afirmou que “não existe maneira melhor de resolver o problema do que falando sobre ele, é preciso ter essa conversa.”

O ex-atleta lembrou que o Brasil “sempre se negou” a falar sobre o tema: “Apesar de todo mundo saber que exista, todo mundo conhecer um racista, os próprios brasileiros não conhecem a história”.

“O meu caso ‘tirou a poeira do tapete’ para debater sobre um problema que existia há muito tempo”, completou.

Para o ex-goleiro, as redes sociais e a presença de câmeras ajudaram a denunciar, cada vez mais, as ocorrências racistas.

“As pessoas sempre me perguntam sobre o episódio na Arena do Grêmio como se fosse o único, mas não foi, mas não tinha apoio das câmeras para questionar”, lamentou.

Na avaliação de Aranha, o Brasil é “um país adolescente”, em que tudo é muito novo, como a democracia, fim da escravidão, com sequelas deste período triste.

“O que não pode acontecer é participar desses atos de racismo, homofobia, qualquer ato de desrespeito e não fazer nada, durante muito tempo, população negra aceitava brincadeiras e xingamentos, a lei contra o racismo é muito nova”, defendeu.

Ele reforçou que é preciso mudar a mentalidade da população, justamente para que racistas sejam denunciados com mais frequência.

Mais Recentes da CNN