Clubes precisam ir além das notas de repúdio em casos de racismo, diz Observatório

Marcelo Carvalho, idealizador do Observatório Racial do Futebol, diz que vê ofensa em vídeo divulgado por Gabigol e cobra mudança de postura dos times

Leandro Resendeda CNN

no Rio de Janeiro

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A denúncia e o combate ao racismo no futebol não podem ficar restritos às notas de repúdio, reprodução de hashtags e venda de camisas antidiscriminação. Essa é a avaliação de Marcelo Carvalho, idealizador e diretor-executivo do Observatório Racial do Futebol.

Neste final de semana o atacante Gabriel Barbosa, do Flamengo, o Gabigol, denunciou ofensas racistas por parte de membros da torcida do Fluminense, após o clássico Fla-Flu deste domingo (6).

Vitinho, atleta da base do São Paulo, também usou as redes sociais para denunciar torcedores que o xingaram. Não são casos isolados: dados preliminares levantados pelo Observatório apontam que pelo menos 53 casos de racismo e discriminação ocorreram nos estádios de futebol do Brasil em 2021.

“É uma realidade e os clubes precisam ser um pouco mais firmes. Não adianta o clube só se posicionar dizendo, em um caso como o do Gabigol, que o clube está à disposição das autoridades. É preciso que se assuma a responsabilidade”, afirmou Marcelo Carvalho.

O diretor-executivo cobra dos times de futebol que de fato atuem para identificar e banir racistas de seu quadro social e dos estádios. “Todo mundo diz que é antirracista, mas quando há um caso concreto, colocam a palavra da vítima em dúvida”, afirmou.

Marcelo lembrou o episódio do meia Celsinho, do Londrina, vítima de ofensas racistas por parte de um dirigente do Brusque (SC) durante um jogo da Série B de 2021.

Quando o caso ocorreu, todos os clubes divulgaram notas de repúdio. Quando o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) retirou a punição aos clubes de Santa Catarina, não houve reação de nenhuma equipe.

O idealizador do Observatório Racial do Futebol lembra, ainda, que as torcidas passaram a coibir quem atirava objeto das arquibancadas para o gramado, como forma de evitar punições esportivas às equipes, como jogos de portões fechados.

No caso de coibir discursos misóginos, homofóbicos ou racistas, a avaliação dele é de que há receio dos próprios torcedores em colocar em seus clubes a pecha de preconceituosos.

“Não vemos nas torcidas as pessoas se insurgindo contra essas práticas, pelo receio de que o clube fique identificado como racista. Ninguém quer isso. Os clubes precisam ser mais proativos”, resumiu.

Em nota, a Federação de Futebol do Rio de Janeiro afirmou que “prega a igualdade, o respeito e lamenta e repudia as ofensas dirigidas ao atleta Gabriel Barbosa, do Flamengo”.

O Fluminense informou que “está apurando o episódio em que um torcedor supostamente teria dirigido palavras racistas ao atacante Gabriel Barbosa, ao final da partida deste domingo.

O próprio autor da divulgação do vídeo diz que teve a impressão, sem certeza, de ter ouvido as supostas ofensas, e, neste sentido, o Fluminense informa que está buscando as imagens do estádio a fim de auxiliar na apuração da existência ou não do fato e na identificação de eventual autoria.

O clube reitera que considera intolerável qualquer tipo de preconceito e se orgulha de manter como lema o ‘Time de Todos’, de respeito ao próximo, independentemente de raça, gênero, credo ou orientação sexual.”

O Flamengo divulgou nota em que “repudia veementemente o episódio lamentável ocorrido na partida deste domingo com o atleta Gabigol, que foi vítima de racismo. O clube presta total solidariedade ao nosso atacante. Estaremos sempre ao seu lado, Gabi. Racismo é crime”.

Por meio de nota, o Tribunal de Justiça Desportiva do Estado do Rio de Janeiro (TJD-RJ) informou que “está atento aos últimos fatos ocorridos no clássico Flamengo x Fluminense, pela Taça Guanabara, aguarda a documentação do jogo e analisa provas para, depois de minuciosa apuração, tomar às devidas providências e punir com rigor os infratores”.

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