Projeto Ilhas do Rio termina última etapa de restauração ecológica das Cagarras

Experimento pioneiro no país servirá como piloto para reflorestamento de outros ambientes insulares

Experimento pioneiro no país, o projeto também servirá como piloto para o reflorestamento de outras ilhas brasileiras
Experimento pioneiro no país, o projeto também servirá como piloto para o reflorestamento de outras ilhas brasileiras Foto: CAIO SALLES/PROJETO ILHAS DO RIO

Adriana Freitas, da CNN, no Rio de Janeiro

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Além da paisagem do Morro Dois Irmãos, o visual do Arquipélago das Cagarras dá um charme especial à Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, que só quem a frequenta entende e sabe descrever. Ao completar dez anos, o projeto Ilhas do Rio concluiu a última etapa do replantio para a restauração ecológica das Cagarras – além da retirada da espécie exótica africana do capim-colonião que dominou grande parte da vegetação da região.

Desde 2010, a 5 km da praia, o Monumento Natural formado pelas ilhas Cagarra, Filhote da Cagarra, Palmas, Comprida, Redonda e Filhote da Redonda (com uma área de 91,20 hectares) passou a ser uma Unidade de Conservação. “Ao longo dos anos, não havia nenhum controle, a área servia de acampamento de pescadores e acabou sendo desmatada”, contou o pesquisador Massimo Bovini. 

O projeto Ilhas do Rio inicialmente fez o inventário das espécies de fauna e flora originais das ilhas. Mais de 600 espécies de animais e plantas foram registradas, entre elas, algumas raras, endêmicas e também inéditas para a ciência. A pesquisa possibilitou descobertas curiosas, como a de uma espécie de perereca que só existe ali, que vive dentro de uma bromélia.

Esses pequenos anfíbios dependem da água da chuva que se deposita na planta para viver e se reproduzir. 

projeto Ilhas do Rio
Desde 2010, a 5 km da praia, o Monumento Natural formado pelas ilhas Cagarra, Filhote da Cagarra, Palmas, Comprida, Redonda e Filhote da Redonda passou a ser uma Unidade de Conservação
Foto: CAIO SALLES/PROJETO ILHAS DO RIO

Experimento pioneiro no país, o projeto também servirá como piloto para o reflorestamento de outras ilhas brasileiras.

“Há sete anos estamos combatendo o capim que cresce muito rápido e queima fácil. É uma logística muito complicada porque é um ecossistema bem específico, fora do continente e sem nenhuma fonte de água doce. Durante todo esse tempo, estamos tentando estabelecer uma metodologia. Após a metodologia concluída é só reutilizá-la em outras ilhas de nossa costa”, explicou Bovini.

Os dados farão parte da estratégia de ação do plano de manejo em Unidades de Conservação do ICMBio.

Nas ilhas, a presença de espécies exóticas pode causar impactos severos, como competição severa, deslocamento de nichos, hibridização de espécies, predação e extinção. É o caso, por exemplo, do capim-colonião que se instalou na Ilha Comprida. Por isso, a necessidade da restauração da flora original.

“Com o sombreamento artificial (com o plantio de árvores) será possível descobrir se a sombra total realmente impede de alguma forma o crescimento do capim, facilitando, assim, o crescimento das mudas e dando oportunidade para as sementes das plantas nativas germinarem e crescerem naturalmente no local”, explica o pesquisador.  

Ao todo, foram plantadas mais de 350 mudas de quatro espécies nativas. A grande surpresa foi a volta dos pássaros que utilizam as árvores para descanso e ajudam a semear a terra de forma natural.

“É importante ressaltar que as Cagarras são o maior ninhal do Atlântico Sul de fragatas e atobás. Com a distância de apenas 5 km do continente as aves se alimentam ali e uma troca (de sementes) ocorre nessa viagem. Ali é um monumento natural com beleza cênica e voltando as espécies vegetais nativas, a fauna volta automaticamente e o local fica ainda mais belo. As Cagarras sempre foram um cartão postal e precisam ser preservadas”, conclui Massimo Bovini.

projeto Ilhas do Rio
O projeto Ilhas do Rio inicialmente fez o inventário das espécies de fauna e flora originais das ilhas
Foto: CAIO SALLES/PROJETO ILHAS DO RIO

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