Projeto visa conservação do mamífero aquático mais ameaçado da Amazônia

Maior golfinho de água doce mundo é ameaçado por pesca e mineração, e pesquisadores querem saber como esses animais se adaptam em reservatórios da região

Informações são fundamentais para conservação dos botos da Amazônia
Informações são fundamentais para conservação dos botos da Amazônia Petrobras/Divulgação

Adriana Freitasda CNN

no Rio de Janeiro

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Pesquisadores do projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia realizam pesquisa para auxiliar na conservação de população de botos cor-de-rosa. O foco do estudo é uma população isolada há mais de três décadas em reservatório no lago de Balbina, no município amazonense de Presidente Figueiredo.

Com parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e patrocínio da Petrobras, o projeto avalia o comportamento vocal deles, além de fazer a contagem visual do grupo.

A espécie produz cerca de 14 tipos de emissões vocais, como estalos de mandíbula, cliques de ecolocalização e até mesmo assobios. De acordo com Associação dos Amigos do Peixe-boi, a espécie está na lista de extinção na categoria “Em Perigo”, se tornando o mamífero aquático mais ameaçado da Amazônia”.

O mamífero sofre as consequências principalmente da pesca na região e da mineração, que libera na água metais pesados como mercúrio que acabam prejudicando o organismo dos botos-cor-de-rosa.

O estudo visa a comparar as vocalizações dos animais com as de populações de botos de fora do lago de Balbina. A comparação será utilizada para verificar se o isolamento — superior ao tempo geracional da espécie — afetou a estrutura vocal dos mamíferos.

Esse dado mostrará, juntamente com a contagem visual, como esses animais se adaptam aos reservatórios. Essas informações são fundamentais para conservação dos botos da Amazônia em médio e longo prazos.

Com auxílio de hidrofones e gravadores, as vocalizações dos botos-cor-de rosa, também conhecidos como vermelhos, são registradas, para depois serem analisadas e comparadas com os sons de outras populações da espécie, de fora do lago de Balbina. A avaliação inclui os comportamentos associados aos sons, cuja frequência varia de acordo com a conduta agressiva ou sociável do animal.

Essa espécie é o maior dos golfinhos de água doce do mundo, chegando até 2,5 metros de comprimento e 200 Kg de peso e vivem exclusivamente na região amazônica. Sua coloração varia de cinza claro, nos filhotes e jovens, a rosa brilhante nos adultos. Os machos são bem maiores e mais rosados do que as fêmeas.

Por serem extremamente adaptados ao ambiente amazônico, os botos têm o sistema de ecolocalização bem desenvolvido e essa característica é importante para se mover na floresta alagada e procurar presas nas águas escuras dos rios amazônicos.

O projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia busca proteger mamíferos e ecossistemas aquáticos por meio de estudos de ecologia, história natural e comportamento dos animais. A iniciativa também atua na integração com as comunidades ribeirinhas e no uso sustentável dos recursos naturais.

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