Propriedades rurais recebem ações de combate à dengue em Minas Gerais
Até a última quinta-feira (15), o estado tinha 62.872 casos confirmados da doença, um aumento de quase 700% se comparado a mesma época de 2023

Após a explosão de casos de dengue em Minas Gerais, o governo do estado iniciou um trabalho para conscientizar a população de áreas rurais sobre o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. As ações são coordenadas pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG).
Até a última quinta-feira (15), o estado tinha 62.872 casos confirmados de dengue, um aumento de quase 700% se comparado a mesma época de 2023. O número de mortes é 500% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.
O raio de voo da fêmea do mosquito –que é quem transmite a doença– raramente ultrapasse os 200 metros em regiões com aglomeração de pessoas, nas áreas sem barreiras pode chegar a um quilômetro.
Na natureza, os ovos do Aedes aegypti podem sobreviver até 400 dias fora d’água, o que aumenta a necessidade de identificação de possíveis criadouros pelos proprietários rurais, destaca a engenheira ambiental Jane Terezinha Leal, coordenadora estadual de Saneamento Ambiental da Emater-MG.
“A primeira coisa a se observar é em relação ao lixo da propriedade: qualquer resíduo que possa reservar água de chuva ou que armazene água parada deve ser acondicionado em sacos. O lixo deve ser fechado e colocado num local com tampa, ou seja, nunca deve ficar aberto”, ressalta a coordenadora.
Outra questão é em relação a plantas e jardins da propriedade. Deve-se colocar areia ou fazer a limpeza semanal naquelas que estiverem em vasos ou pratos pelo menos uma vez por semana.
“A limpeza desses recipientes deve ser feita utilizando bucha, sabão e um pouco de água sanitária”, explica Jane, ao pedir atenção também a calhas e lajes das casas, porque a água pode ficar acumulada nesses locais. “É bom fazer uma vistoria e retirar qualquer folha ou objetos que impeçam a saída de água. As caixas d’água também precisam ser mantidas sempre fechadas porque mesmo uma abertura pequena é suficiente para o mosquito entrar e deixar os ovos”, alerta.
Cloro ajuda a evitar larvas
No meio rural, é comum as pessoas utilizarem tonéis, bombonas ou outros recipientes para armazenar água para fazer bebedouros para os animais.
“Se for possível fazer a limpeza desses depósitos semanalmente, ótimo. Se não for possível, é preciso mantê-los fechados. As cisternas também devem ser fechadas. E toda a água para consumo humano deve ser clorada para evitar contaminações”, salienta a coordenadora de Saneamento Ambiental da Emater-MG.
Outra preocupação que o produtor deve ter é com o destino do esgoto doméstico rural. “Infelizmente, ainda hoje mais de 70% das propriedades rurais têm uma fossa rudimentar ou há ainda aqueles que lançam o esgoto direto em córregos e no solo”, diz.
Essa água suja que fica escorrendo atrai vetores de doenças como mosquitos, pernilongos e ratos, pondo em risco a saúde das pessoas. “A destinação inadequada desse esgoto é uma fonte de contaminação da água e do solo. Ou seja, os danos sociais e ambientais são enormes”, analisa.
Jane recomenda como solução a implantação de tecnologias de saneamento ambiental de baixo custo, como a fossa de evapotranspiração.

