Quilombolas denunciam invasão de búfalos em área protegida internacionalmente

Cada búfalo pode pesar até uma tonelada, e eles andam sempre em grupo, o que contribui para a destruição do ecossistema local

Cada búfalo pode pesar até uma tonelada, e eles andam sempre em grupo, o que contribui para a destruição do ecossistema local
Cada búfalo pode pesar até uma tonelada, e eles andam sempre em grupo, o que contribui para a destruição do ecossistema local Foto: DOC.Films

Marianne Bufalo*

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“Onde eles passam, eles destroem tudo. Eles destroem o pasto, a água, o peixe. Aonde eles vivem só tem que ficar eles”. É desta maneira que a quebradeira de coco, Maria do Bomparto, descreve as manadas que passam pelas terras do quilombo Cedro, nos campos alagados da baixada do Maranhão. 

Os campos alagados são protegidos pelo “Tratado de Râmsar” – um acordo intergovernamental que prevê o uso sustentável destas regiões. Isso porque fazem parte de um dos poucos biomas úmidos do Brasil.

O mais famoso é o Pantanal. Mas, mesmo com essa proteção internacional, a baixada maranhense vem sofrendo com os conflitos de terra do Povoado Cedro. 

Pântano
 
Foto: DOC.Films

Segundo Maria do Bomparto, os búfalos são soltos por fazendeiros e grileiros da região que têm o intuito de ocupar a terra do quilombo.

Cada búfalo pode pesar até uma tonelada, e eles andam sempre em grupo, o que contribui para a destruição do ecossistema local e impacta diretamente na renda e na sobrevivência dos quilombolas.

“Eles depredam lagos, muitas árvores morrem, nesses locais, até as aves desaparecem”, explica a conselheira ambiental Maria da Conceição. 

De acordo com a conselheira, as autoridades já foram alertadas sobre estas invasões, mas nenhuma solução foi apresentada. “Nós tivemos uma audiência pública em 2008 com promotores de toda baixada. Nós estamos em 2020 e a situação continua”, revela. 

*Da DOC. Films, para a CNN Brasil

 

 

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