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    Reconhecer violação a comunidades quilombolas em Alcântara é mudança histórica do posicionamento do governo, diz AGU

    Brasil é julgado na Corte Interamericana de Direitos Humanos por violações na construção do Centro de Lançamento de Foguetes no local

    Daniel RittnerTiago Tortellada CNN

    em Brasília e São Paulo

    O Brasil começou a ser julgado na Corte Interamericana de Direitos Humanos, no Chile, por violações contra comunidades quilombolas no Maranhão.

    A acusação destaca que, no início da década de 1980, comunidades quilombolas teriam sido retiradas da região de Alcântara para a construção do Centro de Lançamento de Foguetes sem a garantia de novos títulos de propriedade, sem serem consultadas sobre a desapropriação da área e com impacto à história e à cultura local.

    O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, está no Chile e participou de audiência sobre o caso. Em entrevista à CNN nesta quinta, ele afirmou que o reconhecimento da violação é uma mudança histórica no posicionamento do Estado brasileiro.

    “Nós reconhecemos a violação ao pleno exercício de direito de propriedade e também à proteção judicial. Por isso, o Estado brasileiro pediu formalmente desculpa às vítimas da comunidade quilombola de Alcântara”, destacou.

    Conforme pontuou, a região possui uma das maiores comunidades do tipo no país. Ele acrescentou que o governo tem débito há 40 anos com essas famílias, além de dívida histórica com a população negra.

    Ao falar que irão atuar em defesa e proteção deste grupo, ressaltou que isso consiste também em reparação econômica e na “busca de titulação do legítimo direito de propriedade daquelas comunidades”.

    Messias também explicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) editou um decreto criando um grupo de trabalho interministerial para indicar, no prazo de um ano, e com diálogo com essas pessoas, a área que será delimitada para as propriedades. Então, haverá 2 anos para concretizar a delimitação.

    PL das Fake News e 8 de janeiro

    O ministro comentou ainda sobre o PL das Fake News, ponderando que já havia diagnóstico de que as notícias falsas “corroem a confiança da sociedade nos Poderes constituídos, no Estado brasileiro”.

    “Não poderemos mais tolerar que a desinformação vire uma arma contra a população, contra a sociedade”, complementou.

    Outro ponto abordado durante a entrevista foi sobre os ataques contra as sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro. Ele afirmou que a AGU apresentou mais de 12 ações contra mais de 223 pessoas físicas, três empresas, uma associação e um sindicato.

    Também pediram reparação econômica de danos causados em R$ 26,2 milhões e reparação de dano moral coletivo no valor de R$ 100 milhões.

    Assista à entrevista completa no vídeo acima.