Rede estadual de educação do Rio retoma às aulas presenciais nesta segunda (16)

Alguns municípios tiveram interrupção de atividades presenciais, na semana passada, por conta do alto risco de transmissão da Covid-19

Camille Couto, da CNN, no Rio de Janeiro
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Escolas da rede estadual de educação do Rio de Janeiro retomam as aulas presenciais nesta segunda-feira (16), em mais 20 cidades. Dos 92 municípios do Estado, 76 já trabalham com essa liberação, 16 seguem sem. 

Alguns municípios tiveram interrupção de atividades presenciais, na semana passada, por conta do alto risco de transmissão da Covid-19.  O decreto foi publicado na edição extra do Diário Oficial da última sexta-feira (13). A nova legislação leva em consideração o regramento municipal. Caso determinado município se manifeste contra a flexibilização do isolamento social de forma oficial, o ensino ficará exclusivamente remoto na região. 

A decisão para o retorno das aulas presenciais foi anunciada na semana passada pelo governador Cláudio Castro, que voltou atrás da determinação do fechamento das unidades de educação, ocorrida no dia 6 de agosto, segundo a avaliação com base no mapeamento dos casos da doença nas regiões.  Na ocasião, Castro informou que “a escola será a última coisa a fechar”.  

A instabilidade das aulas no Rio de Janeiro preocupa especialistas da educação por conta da evasão escolar e do preparo e cuidados necessário para que não haja maior risco de contágio da Covid-19. Segundo Cláudia Costin, diretora do Centro de Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o governo do Rio precisa manter um planejamento efetivo.  

“Infelizmente, o estado do Rio tem adotado uma estratégia um tanto quanto errática ao lidar com a pandemia da Covid. Tanto ao que se refere à questão estreitamente sanitária, quanto à questão educacional. Ao trocar tantas vezes de secretário em meio à maior crise que o estado já teve, já era um equívoco. Além disso, ao retardar a oferta de aprendizagem remota com alguma chance de sucesso, especialmente aos jovens mais vulneráveis, que mais precisavam da escola ou de alguma forma de aprendizagem em casa, também foi um problema", disse Costin.

"Errou bastante ao abrir tudo menos a escola, agora, para corrigir o eventual erro de abordagem de manter tudo aberto, apesar do estado ainda estar numa fase que não permitiria isso, reabre as escolas, sem preparar as escolas para um retorno, sem contar com um preparo para os professores para isso. Acho que isso precisa ser analisado com mais cuidado.” alertou.  

Para o virologista, pesquisador e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Amilcar Tanuri, o planejamento para o retorno precisa ser feito além das salas de aula, pensando em transportes públicos e orientação para que os alunos não participem de aglomerações. 

“Se a incidência de casos é uma situação preocupante, visto os números da variante Delta, a retomada das aulas precisa ser monitora com cuidado. Temos que acompanhar de perto e acelerar a vacinação dos professores, em conjunto. Temos observado que a transmissão nas salas de aula, com protocolos sanitários, não coopera tanto para a transmissão do vírus, mas precisa ter orientação para aglomerações fora das escolas, como nos transportes, por exemplo.”  

A CNN procurou o governo do estado para comentar a fala dos especialistas, mas ainda não teve retorno.