Refugiados e migrantes no Brasil têm menos acesso a políticas de inclusão, diz pesquisa

Das 80 organizações ouvidas pela pesquisa, apenas 52% possuem ações direcionadas para esta população

Grupo de 46 migrantes venezuelanos chegando em Brasília
Grupo de 46 migrantes venezuelanos chegando em Brasília Marcelo Camargo/Agência Brasil (18.dez.2020)

Larissa Coelhoda CNN

em São Paulo

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Uma pesquisa elaborada pela ONG Visão Mundial e pelo Instituto Ethos aponta que 68,4% das 80 organizações brasileiras entrevistadas pelo estudo possuem algum tipo de política interna para inclusão e promoção de igualdade de grupos minoritários.

Das empresas que possuem políticas inclusivas, apenas 52% possuem ações direcionadas para refugiados e migrantes. Os programas de promoção da igualdade para este grupo estão presentes também em menos estados: apenas cinco dos onze estados, incluindo o Distrito Federal, analisados têm empresas com ações nesse sentido.

Em entrevista à CNN, Thiago Machado, diretor de Operações da ONG Visão Mundial, destaca a importância de envolver prefeituras e empresas menores no engajamento de políticas voltadas aos migrantes e refugiados.

“Temos buscado, a partir de alguns setores, trabalhar para fortalecer com governos locais e empresas, para sensibilizar e trazer uma maior inserção dessa população em diferentes espaços, trazendo mais oportunidades”, diz Machado.

Ele destaca também a importância da compreensão da dinâmica do fluxo migratório de refugiados que chegam ao Brasil. De acordo com ele, uma melhor divulgação das oportunidades disponíveis em diferentes regiões do país pode ajudar na entrada ao mercado de trabalho.

“É preciso pensar ainda em novos formatos de capacitação e treinamentos de curta duração, que impactam positivamente na chegada e orientação desses grupos, de uma maneira mais preparada”, completou.

O relatório faz parte das ações do projeto “Ven, Tú Puedes”, iniciativa financiada pelo Escritório de População, Refugiados, e Migração do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América (PRM), que tem como objetivo fornecer assistência básica e ajudar a aumentar a renda familiar de milhares de venezuelanos, entre 18 e 35 anos, residentes nas cidades de Boa Vista, Manaus e São Paulo.

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