Representatividade negra passa por ensinar crianças sobre diversidade, diz professor

À CNN Rádio, Rodrigo França afirmou que não há um único padrão de beleza e que exemplos disso são necessários tanto para crianças negras quanto brancas

Rodrigo França acredita que faltam referências para crianças negras
Rodrigo França acredita que faltam referências para crianças negras Daniel Tavares/PCR

Amanda Garciada CNN

São Paulo

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O professor, cineasta e filósofo Rodrigo França acredita que faltam referências para crianças negras e que a ausência de representatividade no setor audiovisual é um problema a ser combatido.

Em entrevista na CNN Rádio, no quadro CNN No Plural, o autor de “O Pequeno Príncipe Preto” falou sobre o tema: “A população negra no Brasil é de 56%, quando vai no mercado de brinquedos, eles não chegam a 7% de traços negroides, como a criança negra tem um referencial para poder se espelhar? Se não consegue se enxergar em exemplos positivos?”

Ele explica que a representatividade nada mais é do que um processo de construção social. “Quando pensa no lúdico, se enxergar no audiovisual é a construção do que é bonito ou feio, o que tem confiabilidade e o que não tem.”

França admite que houve avanços, mas que eles não foram suficientes para um impacto necessário na sociedade.

Ele avalia que a educação de crianças precisa ser diversa, “é fácil para elas, não podemos subestimá-las, é necessário ensinar sobre subjetividade, que não existe um único padrão de beleza, de confiabilidade, precisa oferecer a diversidade”.

“Uma boneca negra é para a população branca também, oferece possibilidade, não coloco como exclusividade uma única raça, estou tirando uma única característica e colocando diversas”, completou.

Rodrigo França disse ter esperança de que a representatividade vai conquistar mais espaços nos próximos anos. “Tem uma garotada assumindo um legado de ratificar, se posicionar, em relação à diversidade, pautas que ficavam no universo da academia ou movimento negro, estão aí de maneira democrática e estão discutindo mais.”

“A gente precisa agir, a população negra está fazendo sua parte, as pessoas brancas que se colocam como antirracistas e aliadas, precisam assumir o lugar de privilégio e elaborar posicionamento concreto em relação a sua própria existência, todo mundo tem possibilidade de rever a posição na estrutura”, defendeu.

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