Restos mortais que seriam de Dom Phillips e Bruno Pereira chegam ao aeroporto de Brasília

Avião pousou no hangar da Polícia Federal por volta das 18h34; identificação dos corpos será feita a partir desta quinta no Instituto Nacional de Criminalística da PF

Júlia VieiraGabrielle VarelaVianey Bentesda CNN

em São Paulo e em Brasília

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Os restos mortais que seriam do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips chegaram a Brasília na noite desta quinta-feira (16). Os corpos foram encontrados na tarde de quarta-feira (15) após um dos suspeitos relatar o local em que havia enterrado os cadáveres, a cerca de 3,1 quilômetros da região onde ocorreu o crime. A dupla desapareceu no último dia 5, no Vale do Javari, no Amazonas.

O avião da Polícia Federal pousou no hangar do aeroporto de Brasília por volta das 18h34. Cerca de uma hora depois, os restos mortais chegaram ao Instituto Nacional de Criminalística, onde a identificação dos corpos será realizada.

O diretor do Instituto, Ricardo Guanaes Consórcio, é o chefe dos peritos do caso, que devem trabalhar com prazo de 15 dias para conclusão dos trabalhos. O tempo pode ser reduzido para 7 dias

Para chegar até Brasília, o avião saiu de Manaus para Tabatinga, onde recolheu os restos mortais e os peritos, depois seguiu para Vilhena, em Rondônia, para reabastecer e, finalmente, vir para capital federal.

Avião que saiu de Manaus com restos mortais chegou a Brasília nesta quinta-feira (16). Exames para identificação começam nesta sexta-feira (17)
Avião que saiu de Manaus com restos mortais chegou a Brasília nesta quinta-feira (16). Exames para identificação começam nesta sexta-feira (17) / Reprodução/CNN

Crime

Questionado sobre a motivação do crime e, segundo fontes da PF disseram à CNN, Amarildo Oliveira da Costa, um dos investigados pelo assassinato, admitiu que Pereira e Phillips foram assassinados por conta de denúncias sobre pesca ilegal na região.

Durante uma coletiva de imprensa na quarta-feira (15),  superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Eduardo Fontes, afirmou que teria ocorrido um “embate” envolvendo as duas vítimas e os suspeitos, que teriam realizado um “disparo de arma de fogo” no leito do rio Itaquaí.

A mulher de Dom Philips, Alessandra Sampaio, declarou que “embora ainda estejamos aguardando as confirmações definitivas, este desfecho trágico põe um fim à angústia de não saber o paradeiro de Dom e Bruno. Agora podemos levá-los para casa e nos despedir com amor”.

CNN elaborou uma linha do tempo que mostra o passo a passo da investigação, desde a comunicação do desaparecimento. Veja:

  • 31/05 – O indigenista Bruno Araújo Pereira envia mensagem à União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja) relatando risco de morte. Bruno atuava denunciando pesca ilegal no Vale do Javari;
  • 05/06 – Bruno e Dom Phillips desaparecem no Vale do Javari. Rapidamente a Univaja entra em contato com a polícia para comunicar o caso. De acordo com informações da Univaja, os dois chegaram no Lago do Jaburu no dia 3 de junho para visitar a equipe de Vigilância Indígena. No dia 5, Pereira e Phillips deixaram o lago e partiram para a comunidade São Rafael, onde o indigenista participaria de uma reunião. Pelo que consta nas informações trocadas via Dispositivo de Comunicação Satelital SPOT, eles chegaram ao destino por volta de 6h. Após conversarem com uma pessoa local, ambos recomeçaram o trajeto de retorno à Atalaia do Norte e não foram mais vistos;
  • 07/06 – A Polícia Federal dá início às buscas por Bruno e Dom. No mesmo dia, a Polícia Civil do Amazonas prende Amarildo, o “Pelado”, por posse de drogas e munição. Amarildo havia sido apontado por testemunhas como tendo sido visto perto de Bruno e Dom e ameaçado ambos. Para a polícia, Amarildo disse ser pescador;
  • 09/06 – A Polícia Federal encontra lancha de Amarildo com vestígio de sangue;
  • 11/06 – Uma testemunha aponta a participação de Oseney da Costa, o “Dos Santos”, no caso. Ele é descrito como um parente de Amarildo; que teria pedido uma carona à testemunha e estaria armado com uma espingarda. Oseney encontra Amarildo e eles saem juntos;
  • 12/06 – Durante buscas, polícia encontra objetos de Bruno e Dom. Os pertences (mochila, crachá, botas) foram encontrados perto da casa de Amarildo e Oseney. A polícia desce o rio e vê uma área de mata defasado, como se alguém tivesse cruzado com uma lancha de maneira desgovernada, há dois minutos da casa de Oseney. Nesta imediação, a polícia encontra os objetos pessoais dos desaparecidos;
  • 14/06 – “Dos Santos” é preso por relação com sumiço de Bruno e Dom;
  • 15/06 – Amarildo confessa que enterrou Bruno e Dom, polícia busca os corpos. As informações da Polícia Federal foram apuradas pelo âncora da CNN Kenzô Machida.
  • 16/06 – Restos mortais são encontrados no Amazonas próximos ao local indicado por Amarildo. Perícia será realizada pela PF em Brasília. A Polícia Federal também confirmou à CNN que mais três pessoas podem estar envolvidas no caso além de Amarildo e Oseney

Fotos – Buscas por indigenista e jornalista desaparecidos

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