Rio concentra mais de 50% dos respiradores, enquanto COVID-19 se interioriza

Falta de equipamento pode ser um problema para enfrentar a interiorização da doença, que já tem 2.216 casos confirmados em 53 municípios

Modelo de respirador usado em pacientes de Covid-19 em hospital na França (20.mar.2020)
Modelo de respirador usado em pacientes de Covid-19 em hospital na França (20.mar.2020) Foto: Stephane Mahe/File Photo/Reuters

Stéfano Salles

Da CNN do Rio

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Um levantamento feito pela CNN, com dados do DataSus, mostra que a Região Metropolitana do Rio de Janeiro concentra 260 dos 451 respiradores do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado –um total de 56,39%. Os outros 191 são distribuídos por 67 cidades.

Cinco municípios não têm sequer um respirador: Cardoso Moreira, no norte fluminense, Italva, no noroeste, Mendes e Rio das Flores, no sul do estado, e Paty do Alferes, na Costa Verde, que têm dois casos de COVID-19 confirmados.

Quarenta municípios, quase a metade do total, têm um único respirador. A falta desse equipamento pode ser um problema para enfrentar a interiorização da doença, que já tem 2.216 casos confirmados em 53 municípios, incluindo todas as regiões do estado, com 122 óbitos e outros 98 ainda em investigação. 

Os problemas não ficam apenas na falta desse equipamento. Cardoso Moreira, Mendes e Paty do Alferes, além de não terem respiradores, também não possuem hospital geral e nem mesmo leitos do SUS. As informações são atualizadas até fevereiro. Os respiradores são utilizados por pacientes em estado grave de COVID-19, geralmente apresentado por pneumonia e complicações por ela provocadas. 

Quinze municípios do estado não contam nem mesmo com hospitais gerais públicos. São eles: Bom Jardim, Carapebus, Cardoso Moreira, Comendador Levy Gasparin, Iguaba Grande, Italva,Macuco, Mendes, Nilópolis, Paty do Alferes, Porciúncula, Queimados, São José de Ubá, São José do Vale do Rio Preto, Seropédica e Tanguá, Somadas, as cidades têm cerca de 600 mil habitantes, de acordo com estimativas atualizadas do IBGE.  

Medidas de prevenção afrouxadas

Na quarta-feira, a CNN mostrou um alerta feito por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz) sobre o risco potencialmente catastrófico que a redução das medidas de isolamento do novo coronavírus, especialmente no interior do Brasil.

No Rio de Janeiro, as medidas de prevenção foram afrouxadas pelo governador Wilson Witzel (PSC) na terça-feira, com autorização da reabertura do comércio em 30 cidades sem casos confirmados da doença. Desde então, três delas, Cantagalo e Sumidouro, na região serrana, além de Paty do Alferes, saíram da lista, registrando seus primeiros casos. 

Pesquisadores do MonitoraCOVID-19, sistema da Fundação Oswaldo Cruz, alertam que municípios fora das regiões metropolitanas estão com um número cada vez maior de contaminados. O vírus foi para o interior do país ao longo, sobretudo, das últimas duas semanas. Esses dados mostram que os pacientes procurarão ajuda nas grandes cidades, fazendo com que o ciclo da epidemia não se encerre e os sistemas de saúde desses municípios sejam mais demandados.

Questionada, a Secretaria Estadual de Saúde informou, por meio de nota, que abriu 548 leitos para pacientes infectados com COVID-19 em todo o estado, e que esse total deve chegar a 3.414, com 1.743 UTIs com respiradores nas próximas semanas. Do total, 2 mil serão para hospitais de campanha, provisórios, que ainda não foram inaugurados. A pasta informou ainda que adquiriu 900 respiradores. No entanto, apenas 300 deles foram entregues até o momento.

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