Rio e mais dez cidades têm mais mortes que nascimentos em março

Pelo 6º mês seguido, a cidade do Rio registrou mais mortes do que nascimentos; pela 1º vez na história, o RS teve 15.802 óbitos e 11.971 nascimentos em março

Rafaela Lara, da CNN, em São Paulo
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Pelo sexto mês consecutivo, a cidade do Rio de Janeiro registrou mais mortes do que nascimentos, um indicador da crise provocada pela Covid-19 no Brasil. Ao menos dez outras cidades brasileiras com população acima de 500 mil pessoas também registraram mais óbitos do que nascimentos no último mês.

A capital fluminense registrou 36.437 mortes em março – 16% a mais que os 32.060 novos nascimentos no mês de março, segundo o Registro Civil nacional. Cidades de todo o país foram atingidas por um recente aumento nos casos e mortes por Covid-19.

A nova alta de casos e mortes têm sido impulsionada, em parte, por novas variantes consideradas mais contagiosas, como a variante P.1 que foi encontrada em Manaus, bem como pela falta de efetividade das medidas de restrição adotadas por governos estaduais e municipais.

Na última semana, pela 1ª vez na história, o estado do Rio Grande do Sul registrou, no total, 15.802 óbitos, contra 11.971 nascimentos em março – do total de vidas perdidas no mês de março, mais de 7 mil foram por complicações do novo coronavírus, segundo dados do governo estadual. Os números levam em conta mortes por todas as causas e não apenas por Covid-19.

Nesta terça-feira (13), o Brasil registrou 3.808 mortes e 82.186 novos casos do novo coronavírus, segundo dados coletados pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) nas últimas 24 horas.

Até esta quarta-feira (14), o país já soma 358.425 mortes e 13.599.994 contaminados por Covid-19 desde o início da pandemia, em março do ano passado. Os altos números de mortes registrados diariamente se refletem na média móvel de óbitos, que está em 3.068 – a segunda mais alta desde os primeiros registros da doença.

Leitos de UTI

Os hospitais também tem operado sobrecarregados e cirurgias eletivas estão sendo remarcadas. A situação dos leitos de UTI disponíveis para a população também é alarmante e há filas de espera nos estados

Segundo um levantamento realizado pela Agência CNN, 22 capitais brasileiras estão com taxas de ocupação de leitos de UTI acima de 80%. Os estados de Rondônia e Distrito Federal chegaram a 100% de ocupação dos leitos de UTI. 

Pessoas aguardam vagas para leitos de UTI em São Paulo
Com a taxa de ocupação dos leitos de UTI em São Paulo em 90%, diversas pessoas aguardam uma vaga (20.mar.2021)
Foto: Reprodução / CNN

Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Sergipe já operaram seus leitos acima de 100% de ocupação. De acordo com especialistas, taxas acima de 90% já configuram o colapso do sistema de saúde. Nenhum estado, de acordo com o levantamento, tem menos do 83% de ocupação de leitos até esta quarta-feira (14).

Ritmo da vacinação no Brasil 

Na vacinação contra a Covid-19, o Brasil segue na 9ª posição na aplicação de doses, considerando o número de doses a cada 100 habitantes, quando comparado com os demais países que formam o G20, grupo das 20 maiores economias do mundo.

Neste ranking, o país está em 9º lugar, com 14,87 doses aplicadas a cada 100 habitantes. O Reino Unido, que informou nesta terça-feira (13) já ter vacinado todos os adultos acima dos 50 anos, está em primeiro lugar, com 58,70 doses aplicadas a cada 100 pessoas.

Os Estados Unidos estão em 2º lugar (56,72), seguido pela Alemanha (22,70), Turquia (22,21) e Canadá (22,07). A Itália fica em 6º lugar, com 21,98 doses a cada 100 habitantes, seguida pela França (21,33) e Arábia Saudita (18,39).

Em números absolutos, ainda considerando o G20, o Brasil fica em 5º lugar no ranking. Com 31,47 milhões de doses já aplicadas até esta terça-feira (13), o Brasil está atrás dos Estados Unidos, China, Índia e Reino Unido. 

Painel da vacina covid-19 13 de abril
Painel da vacina desta terça-feira (13) mostra o Brasil com 14,87 doses da vacina já aplicadas a cada 100 habitantes
Foto: CNN

(Com informações de Julyanne Jucá, Vital Neto e Paloma Souza, da CNN, em São Paulo)