Rio e Niterói fecham parceria para combater a emergência climática

Mais de 100 cidades latino-americanas e empresas de água acordaram a criação de uma Aliança Regional de Megacidades para a Água e o Clima

Adriana Freitasda CNN

no Rio de Janeiro

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As prefeituras do Rio e de Niterói fecharam aliança para combate à emergência climática. Com a união, as cidades formam oficialmente uma “megacidade” para a representação do setor público na Aliança de Megacidades para a Água e o Clima, da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). As ações serão apresentadas na 2ª Conferência Internacional sobre Água, Megacidades e Mudança Global, de 11 a 14 de janeiro de 2022, em Paris.

Os prefeitos de Niterói, Axel Grael (PDT), e do Rio, Eduardo Paes (PSD), assinam, nesta quarta-feira (20), no Museu do Amanhã, uma parceria inédita entre as cidades para defenderem a agenda. O foco será na gestão de recursos hídricos. Daqui a uma semana, Grael, que é engenheiro florestal e ambientalista vai à 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 26), na Escócia, representando as duas cidades.

“É um acordo para integrar as políticas na área ambiental e climática. As duas cidades têm um pioneirismo e protagonismo no tema ambiental no país, além de ter as mesmas fragilidades de encostas, a mesma geografia e vulnerabilidade parecida para as questões. Niterói foi a primeira cidade a criar secretaria do clima. Além disso, são ações duradouras para duas cidades que quase que se espelham”, explicou Grael.

“O que a gente está fazendo é aproximar nossas administrações para que se desenvolvam de forma conjunta as ações para que possamos compartilhar a experiências entre nós e com outras regiões metropolitanas. Água é um elemento escasso da região metropolitana e depende de uma gestão responsável para que mantenhamos a segurança hídrica”, continuou.

Mais de cem representantes de megacidades latino-americanas, de empresas de água e saneamento e de universidades acordaram a criação de uma Aliança Regional de Megacidades para a Água e o Clima. A expectativa é reduzir os riscos para suas atividades econômicas e possibilitar estabilidade social.

Outra união ambiental das cidades é o C40 que teve origem em 2005, quando o então prefeito de Londres, Ken Livingstone, reuniu os líderes de 18 metrópoles para discutir medidas para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Com o sucesso do encontro, outras cidades se interessassem em participar da rede, chegando ao número de 40, gerando, assim, o C40, com a participação de cidades importantes, como São Paulo, Rio de Janeiro, Los Angeles, Londres, Nova Iorque, Seul, Tóquio, Jacarta, Hong Kong, Berlim, entre outras. Hoje, uma das salas de atividades do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, é a sede do primeiro escritório do grupo C40 de Liderança Climática das Cidades na América Latina.

Atualmente, em todo o mundo, o C40 Cities conecta as 97 das maiores cidades do mundo para realizar ações climáticas ousadas, liderando o caminho para um futuro mais saudável e sustentável. Representando mais de 700 milhões de cidadãos e um quarto da economia global, os prefeitos das cidades C40 estão empenhados em cumprir as metas mais ambiciosas do Acordo de Paris em nível local, bem como em limpar o ar que respiramos.

Um novo estudo publicado na revista Frontiers in Sustainable Cities apresenta o primeiro balanço global de gases de efeito estufa (GEE) emitidos pelas principais cidades ao redor do mundo. Embora cubra apenas 2% da superfície da Terra, as cidades são grandes contribuintes para a crise climática. Entretanto, as atuais metas urbanas de mitigação de GEE não são suficientes para atingir as metas globais de mudança climática até o final deste século. Hoje, mais de 50% da população global reside em cidades. Elas são relatadas como responsáveis por mais de 70% das emissões de GEE e compartilham uma grande responsabilidade pela descarbonização da economia global.

O Fórum Mundial de Bioeconomia encerrou nesta quarta-feira em Belém. Foi a primeira vez que este evento aconteceu fora da Finlândia. O Governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), aproveitou para lançar uma bioestratégia dedicada ao estado, a primeira do gênero no Brasil.

“Aqui no Pará, demos passos importantes e concretos para uma economia mais sustentável, inclusiva e mais humana. Uma economia que gera empregos e oportunidades para todos, com a floresta em pé. Implementamos, por decreto, uma estratégia de Bioeconomia do Estado. Criamos novas unidades de conservação, lançamos uma linha de crédito voltada para iniciativas bioeconômicas e criamos um comitê gestor para a Política Climática”, disse Barbalho.

Além disso, a declaração anual do Fórum Mundial de Bioeconomia será encaminhado à COP 26. O documento reforça a importância da verificação da procedência dos produtos vindos da floresta, do levantamento genético da Amazônia, sua proteção, com salvaguardas socioambientais, além da identificação das cadeias produtivas de novos negócios da sociobiodiversidade.

A bioeconomia é vista como uma grande saída para geração de renda da população, preservação, desenvolvimento e produção de riquezas na Amazônia. Por exemplo, as atividades extrativistas realizadas na região já são atualmente mais lucrativas do que desmatar. O valor anual da produção de carne e soja, por exemplo, é de R$ 604 por hectare; no caso do açaí, cacau e castanha –que vêm de plantas nativas–, esse montante chega a R$ 12,3 mil.

A nova forma de economia –que movimenta atualmente no Brasil cerca de US$ 326 bilhões por ano, segundo o BNDES– é considerada uma importante alternativa para preservação da Amazônia.

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