Saiba o que será a COP 26 e os principais temas polêmicos em discussão

Presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), representou o Brasil no evento da Pré-COP 26 chamado "Parlamento para as Pessoas, o Planeta e a Prosperidade"

Jovens ativistas apresentam propostas para conversas do clima de Glasgow
Jovens ativistas apresentam propostas para conversas do clima de Glasgow Reuters

João de Marida CNN*

Em São Paulo

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O 26º encontro da Conferência das Partes da Convenção, a COP 26, adiado devido à pandemia, acontecerá entre outubro e novembro deste ano, em Glasgow, na Escócia, e faz parte da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC).

Acabar com o uso de carvão, fornecer US$ 100 bilhões de financiamento climático por ano e fazer com que todas as vendas de carros novos sejam de zero emissões em 14 a 19 anos são um dos temas polêmicos em discussão no encontro que acontecerá em um momento crucial para o meio ambiente.

A conferência reúne anualmente 197 países para discutir pautas sobre mudanças climáticas e como agir para solucionar os problemas. Os debates acerca da Conferência das Partes já iniciaram, na quinta-feira (7), com a chamada Pré-COP 26.

A Reunião Parlamentar conta com presença de presidentes dos legislativos do G20 — grupo com as maiores economias mundiais e acontece em Roma, na Itália.

O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), é o representante brasileiro no evento chamado “Parlamento para as Pessoas, o Planeta e a Prosperidade”. Está em pauta como a ação parlamentar pode contribuir para frear as mudanças climáticas em níveis nacional, regional e internacional.

Em seu discurso, Pacheco afirmou que os parlamentares precisam manter o foco no enfrentamento da pandemia da Covid-19, mas não podem esquecer de temas como o combate à intolerância entre as nações e às desigualdades sociais e econômicas.

“Enquanto houver fome e miséria em qualquer parte do mundo, teremos um problema grave e comum a todos os países”, disse o senador.

O que é a COP 26?

A COP é a abreviatura de Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que é um evento que acontece anualmente, mas foi adiado no ano passado por causa da pandemia.

Os líderes mundiais comparecem, mas muitas das discussões acontecem entre ministros e outras autoridades de alto nível que trabalham com questões climáticas. O 26 significa que esta é a 26ª reunião do grupo.

As conferências são eventos massivos com muitas reuniões paralelas que atraem pessoas do setor empresarial, empresas de combustíveis fósseis, ativistas do clima e outros grupos com interesse na crise climática.

Alguns deles são bem-sucedidos — o Acordo de Paris foi firmado durante a COP21, por exemplo — e alguns são dolorosamente improdutivos.

Indústria
Emissões de gases afetam o meio ambiente e impactam diretamente nas mudanças climáticas / Foto: SD-Pictures/Pixabay

Mais de 190 países assinaram o Acordo de Paris após a reunião da COP 21, em 2015, para limitar o aumento das temperaturas globais abaixo de 2 graus Celsius dos níveis pré-industriais, mas de preferência para 1,5 graus.

Meio grau pode não parecer uma grande diferença, mas os cientistas dizem que qualquer aquecimento adicional além de 1,5 grau irá desencadear eventos extremos climáticos mais intensos e frequentes.

Por exemplo, limitar o aquecimento a 1,5 graus em vez de 2 graus pode resultar em cerca de 420 milhões de pessoas a menos sendo expostas a ondas de calor extremas, de acordo com a ONU.

Os cientistas vêem 2 graus como um limite crítico onde o clima extremo transformaria algumas das áreas mais densamente povoadas do mundo em desertos inabitáveis ​​ou as inundaria com água do mar.

Quais são assuntos em discussão?

Alok Sharma — um membro do Parlamento britânico e presidente da COP26 — disse que deseja que a conferência deste ano chegue a um acordo sobre uma série de objetivos principais, incluindo:

  • Manter a meta de “1,5 grau viva”, uma meta a que alguns países produtores de combustíveis fósseis têm resistido, pelo menos em termos de fortalecimento da linguagem em torno dela em qualquer acordo;
  • Colocar uma data limite para acabar com o uso de carvão “inabalável”, o que deixa em aberto a possibilidade de continuar usando algum tipo carvão, desde que a maior parte das emissões de gases de efeito estufa do combustível fóssil seja capturada, impedindo-os de entrar na atmosfera. Alguns cientistas e grupos de ativistas disseram que todo o carvão deveria ser relegado à história;
  • Fornecer US$ 100 bilhões de financiamento climático anual, o que as nações ricas concordaram, para ajudar os países em desenvolvimento a reduzir as emissões de combustíveis fósseis e se adaptar aos impactos da crise;
  • Fazer com que todas as vendas de carros novos sejam de zero emissões em 14 a 19 anos;
  • Acabar com o desmatamento até o final da década, já que as florestas desempenham um papel crucial na remoção de carbono da atmosfera;
  • Reduzir as emissões de metano, um gás potente com mais de 80 vezes o poder de aquecimento do dióxido de carbono.

Embora o Acordo de Paris tenha sido um marco na busca para enfrentar a crise climática, ele não incluiu detalhes sobre como o mundo alcançaria seu objetivo. As COPs subsequentes buscaram tornar os planos a ela associados mais ambiciosos e detalhar cursos de ação.

“No papel, o Acordo de Paris sempre foi concebido como um processo cíclico – ‘vejo você em cinco anos, com planos melhores e esforços renovados’”, disse Lola Vallejo, diretora do programa climático do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais. “Então, agora, estamos neste prazo, adiados pela Covid-19.”

(*Com informações de Ivana Kottasová, da CNN Internacional, e da Agência Senado)

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