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    Risco de acidentes em rodovias federais sob gestão pública é quatro vezes maior que em concedidas

    Estudo da Fundação Dom Cabral mostrou que a taxa de severidade dos casos também é quatro vezes superior em rodovias federais sob gestão pública

    Acidente entre ônibus e carreta bloqueou BR-040 por menos de uma hora.
    Acidente entre ônibus e carreta bloqueou BR-040 por menos de uma hora. Corpo de Bombeiros de MG

    Lucas SchroederTiago Tortellada CNN

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    Um estudo da Fundação Dom Cabral divulgado nesta terça-feira (5) aponta que as taxas de acidentes e a gravidade destes são quatro vezes maiores nas rodovias federais sob gestão pública do que nas concedidas à iniciativa privada.

    Pesquisadores utilizaram dados abertos da Polícia Rodoviária Federal (PRF) disponíveis na internet. Foram analisados registros de 2018 a 2021, totalizando cerca de 264 mil acidentes, dos quais 99,4% ocorreram em rodovias federais.

    Em número absoluto de acidentes, a média anual do período levantado é de 43,4% em rodovias concedidas e 56,6% naquelas sob gestão pública.

    “Acidentes acontecem em qualquer rodovia e quanto maior o volume de tráfego maior a possibilidade acidentes. Isso é demonstrado nos percentuais relativamente próximos de acidentes no conjunto de rodovias concedidas e sob gestão pública (43,4% e 56,6%, respectivamente)”, explica Paulo Resende, professor da Fundação Dom Cabral e responsável pelo estudo.

    Porém, a fundação também utilizou um método de tratamento científico que “reduz a influência do Volume Médio Diário Anual (VMDA) dos veículos que circulam no trecho de ocorrência do acidente, amenizando o fato de que rodovias mais movimentadas tendem a apresentar um maior número absoluto de acidentes”.

    Assim, foi aferida a “Taxa de Acidentes”. Neste caso, o percentual referente às rodovias sob gestão pública é de 79,7%, e nas concedidas, 20,3%.

    Ao considerar-se a gravidade dos acidentes, a Taxa de Severidade nas rodovias sob gestão pública corresponde a 80,4%, e nas concedidas, 19,6%. Paulo Resende revela também que os acidentes mais graves acontecem próximos a grandes centros urbanos.

    Entre os estados com maior número de acidentes, destacam-se Rio Grande do Sul e Paraná, que também estão nas primeiras colocações no ranking das Taxas de Severidade das ocorrências.

    O estudo também pontua que as rodovias BR-101 e BR-116 são as rodovias com maior número de acidentes, taxa de acidentes e severidade dos casos. Ainda assim, é ressaltado que “é notável que a severidade das ocorrências é mais intensa nos trechos que permanecem sob gestão pública do que nos concedidos às empresas privadas”.

    A fundação pontua que são necessárias mais fontes de financiamento públicas para melhorias nas estradas.

    Em nota à CNN, o Ministério de Infraestrutura afirmou que entre 2019 e junho de 2022 foram revitalizados, construídos e duplicados 4,7 mil quilômetros de rodovias federais pelo país.

    Segundo a pasta, em função da redução orçamentária nos últimos anos “devido à necessidade de ajuste fiscal do país”, o governo investe na parceria com a iniciativa privada, com sete rodovias concedidas, que terão R$ 48 bilhões em investimentos privados.

    Leia a nota completa do Ministério de Infraestrutura

    “De 2019 a junho de 2022, o Governo Federal, por meio do Ministério da Infraestrutura, revitalizou, construiu e duplicou 4,7 mil quilômetros de rodovias federais pelo país. Com a redução orçamentária que ocorre nos últimos anos devido à necessidade de ajuste fiscal do país, o Governo Federal investe na parceria com a iniciativa privada, com um modelo de concessão que garante maciços investimentos e qualidade na prestação dos serviços em infraestrutura de transportes.

    Desde 2019, foram garantidos R$ 99,4 bilhões em investimentos durante o período dos contratos. São 34 aeroportos, seis ferrovias e sete rodovias concedidas, além de 36 terminais portuários arrendados. Trata-se do maior programa do mundo de concessões de infraestrutura de transportes.

    Somente no modal rodoviário, foram concedidas sete rodovias, que terão R$ 48,8 bilhões em investimentos privados. Este valor é equivalente a aproximadamente seis vezes o orçamento do MInfra para realizar obras em todos os setores de transporte. Ainda para este ano, estão previstos os leilões de dois lotes do Sistema Rodoviário do Paraná, com R$ 15 bilhões em investimentos privados e da BR-381/262/MG/ES, com investimentos previstos na ordem de R$ 5,75 bilhões. Para 2023, estão previstas concessões de 44 ativos, incluindo 15.647,61 quilômetros em rodovias federais.”

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