RJ: Comissões da Câmara e Alerj cobram mais leitos para tratamento da Covid-19

Neste sábado (17), a rede SUS da capital tem 1.425 pessoas internadas infectadas pelo coronavírus e 95% dos leitos de terapia intensiva estão ocupados

Isabelle Resende, da CNN, no Rio de Janeiro
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A taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva para pacientes com confirmação ou suspeita da Covid-19, no Rio de Janeiro, está em 88%. Até essa sexta-feira (16), 307 pessoas aguardavam na fila por um leito de UTI na rede hospitalar do estado.

Já na capital, 95% dos leitos de terapia intensiva estão ocupados. São 70 pessoas aguardando, na cidade do Rio, por um leito, tanto de terapia intensiva quanto enfermaria. A rede SUS na capital tem, neste sábado (17), 1.425 pessoas internadas infectadas pelo coronavírus.

Segundo dados levantados pela Comissão de Saúde da Câmara, cerca de 60% dos leitos federais da cidade estão desativados.

Nessa sexta-feira (16), durante audiência pública com representantes das comissões de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e da Câmara Municipal do Rio, gestores das redes federal, estadual e municipal de Saúde no estado relataram a dificuldade de contratação de pessoal como o maior entrave para a abertura de vagas de internação.

Mas o argumento foi contestado por parlamentares e entidades de classe, que apontam problemas de gestão. De acordo com dados do Censo Hospitalar, existem hoje 773 leitos fechados em nove hospitais federais do Rio de Janeiro. Deste total, 60% estão fechados por falta de funcionários.

O superintendente do Ministério da Saúde, coronel George Divério, afirmou que, dos 560 leitos que chegaram a ser anunciados que seriam abertos num acordo com o Governo do Estado, apenas 292 foram disponibilizados para pacientes com Covid-19.

Ele revelou ainda não ter conseguido preencher 400 vagas para profissionais de saúde na rede federal. Também lembrou a ausência de concurso público, que não é realizado desde 2010, mas disse que os profissionais desistem quando entendem que terão que trabalhar no combate à Covid-19.

O secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, disse que houve crescimento no número de médicos na rede, chegando a 3 mil no momento. Mas reafirmou que o desafio para a abertura de leitos ainda é a alocação de profissionais.

Equipe médica cuida de pacientes em área de emergência de hospital
Equipe médica cuida de pacientes em área de emergência de hospital
Foto: Diego Vara/Reuters

No mês passado, a Justiça Federal concedeu liminar favorável à Comissão de Saúde da Alerj na ação civil pública que pede a abertura de leitos federais para Covid no município do Rio e a recomposição ou reintegração dos profissionais da saúde dos hospitais que foram demitidos durante a pandemia. O prazo dado pela Justiça para que o Ministério da Saúde fizesse a contratação de pessoal terminou no dia 25 de março.

Em nota, a Superintendência Estadual do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro (SEMS/RJ) informou que os profissionais de saúde que tenham interesse em atuar no enfrentamento à pandemia da Covid-19, nos Hospitais e Institutos Federais, podem enviar seus currículos para o e-mail: ctucovid@saude.gov.br, com objetivo de análise e possível chamamento, para compor a força de trabalho.

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