RJ: conselheiros da prefeitura e governo querem adiar carnaval e manter aulas

Comitê que assessora a Prefeitura do Rio debate cenário epidemiológico da cidade hoje

Mulher é vacinada contra Covid-19 no Rio de Janeiro
Mulher é vacinada contra Covid-19 no Rio de Janeiro 27/10/2021REUTERS/Pilar Olivares

Pedro DuranIsabelle Resendeda CNN

Rio de Janeiro

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Integrantes do Comitê de Enfrentamento à Covid-19, que assessoram a Prefeitura do Rio, se reúnem nesta quarta-feira (12) para debater o cenário epidemiológico diante do aumento de casos da Ômicron. Na pauta, também será discutido o retorno das aulas presenciais e o Carnaval.

A 45 dias dos desfiles das escolas de samba e a menos de 30 dias da volta às aulas, especialistas dos comitês que assessoram o governo do Rio de Janeiro e a prefeitura da capital fluminense acreditam que este não é o melhor momento pra decidir sobre o futuro do carnaval e defendem urgência na vacinação de crianças para aumentar a segurança da volta às aulas.

Apesar do ‘boom’ de casos na capital fluminense – foram mais de 9 mil apenas na terça (11) -, a leitura de todos os médicos ouvidos pela CNN é que a nova onda de Covid-19 supostamente gerada pela nova cepa tem prazo de validade.

A grande polêmica é quando será o pico de infecção da variante. Sobre isso, há divergências nos dois comitês.

A CNN ouviu sete integrantes dos dois grupos, alguns reservadamente. Parte deles acredita que até o desfile das escolas de samba, marcado para o final de fevereiro, a pior fase de infecções da variante já terá passado e cancelar os desfiles agora seria precipitado.

Essa também é a leitura da cúpula de saúde do governador Cláudio Castro (PL). Na mesma toada, o prefeito Eduardo Paes (PSD) não vê sentido de tomar a decisão agora.

Estimativas da FGV e da ESPM apontam que os festejos rendem de R$ 5 a 6 bilhões em movimentação financeira. Há forte cunho social nos desfiles, já que as escolas de samba empregam pessoas de comunidades ou em situação de vulnerabilidade.

No entanto, há quem defenda que é impossível esperar mais e decidir daqui a semanas. Em linhas gerais, a solução de adiar os desfiles por alguns meses é a que agrada mais os médicos ouvidos pela CNN, porque não imporia prejuízo à economia e nem à saúde.

“Talvez essa onda vá até muito próximo do carnaval, então é muito difícil você chegar lá perto do carnaval e cancelar”, diz Amilcar Tanuri, da UFRJ, que está no conselho do governo.

Também conselheiro do governo, o médico infectologista, Marcos Junqueira do Lago, coordenador de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Universitário Pedro Ernesto, entende que “hoje o Brasil, especialmente o Rio de Janeiro, não tem cenário para fazer Carnaval”.

Alberto Chebbabo, que aconselha a prefeitura, e Roberto Medronho, que aconselha o governo, já se manifestaram publicamente defendendo o cancelamento dos desfiles em fevereiro. Os dois são professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Volta às aulas

A opinião dos especialistas ouvidos pela CNN é de que qualquer adiamento das aulas previstas para serem retomadas no dia 7 de fevereiro, prejudicaria ainda mais as crianças já impactadas por defasagens no ensino ao longo dos últimos dois anos.

Eles concordam, no entanto, que a vacinação de crianças de 5 a 11 anos, que deve começar em 17 de janeiro e se estender até 9 de feveireiro (para a primeira dose no Rio), é fundamental para garantir a proteção dessa faixa etária. Acelerar o calendário seria o melhor dos mundos – muito embora a cidade não vá receber as doses suficientes pra isso.

Alguns especialistas defendem reforço de protocolos para escolas ou modelo híbrido, mas as opiniões dominantes são de que deixar as crianças mais tempo em casa poderia prejudicar o aprendizado. Tanuri avalia que é hora, sim, de voltar. “Eu sei que vai dar um risco residual maior, mas a gente já causou muito mal a elas, especialmente no setor público”, defende.

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