RJ: três das vítimas da variante Delta não tinham completado esquema vacinal

Secretário de Saúde da capital, Daniel Soranz, afirma que em breve a variante de origem na Índia será a predominante no Rio

Enfermeira mostra vacina contra a Covid-19 para mulher no Rio de Janeiro
Enfermeira mostra vacina contra a Covid-19 para mulher no Rio de Janeiro Foto: Mario Tama/Getty Images

Isabelle Saleme, da CNN, no Rio de Janeiro

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Das quatro vítimas que morreram em decorrência da variante Delta no Rio de Janeiro, três não tinham completado o esquema de vacinação contra a Covid-19. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, apenas a mulher de 73 anos, moradora de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, tinha tomado as duas doses de imunizante. A paciente, no entanto tinha histórico de hipertensão e angina.

Outra vítima que tinha comorbidades era um homem de 50 anos, morador de Duque de Caxias, também na Baixada Fluminense. Apesar de ter diabetes e hipertensão, ele não havia sido vacinado. 

Os outros dois mortos pela cepa de origem na Índia, uma  mulher de 43 anos, moradora de São João de Meriti, e um homem de 53, de Queimados, ambos na Baixada, haviam tomado a primeira dose de vacina apenas. As autoridades de saúde investigam se eles tinham comorbidades.

Delta na capital fluminense 

O estado chega a 87 casos da variante, mais transmissível que o vírus original. Na capital, já são 27 casos confirmados. “É muito importante que as pessoas tomem a vacina. Você pode ver que esses casos, a maioria deles, são falhas na barreira vacinal. São pessoas que deveriam ter se vacinado e não se vacinaram”, afirmou o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz.

Atualmente, a variante de Manaus é a mais comum na cidade: corresponde a 730 das 769 confirmações de cepas de preocupação. No entanto, Soranz acredita que em breve isso vai mudar.

“O que a gente sabe hoje da variante Delta é que, na maioria dos países que ela entrou, começou a circular de forma muito rápida e se tornou predominante muito rápido. A gente, de fato, espera que ela seja a variante predominante na cidade do Rio muito em breve e também no estado”, disse.

“Apesar de saber que ela é uma variante muito mais transmissível, há a hipótese que ela cause menos casos graves e seja menos letal. Tem se mostrado assim na cidade do Rio de Janeiro”, afirmou Soranz. 

A afirmação foi durante a coletiva de imprensa  em que a prefeitura do Rio divulgou o novo boletim epidemiológico da cidade. De acordo com dados apresentados, dos 27 casos da variante com origem na Índia confirmados na capital, a maior parte foi entre mulheres (55,36%). Além disso, 74,1% dos pacientes estavam na faixa etária em dos 20 aos 59 anos.

Avanço da vacinação

O Rio de Janeiro já vacinou 56% da população com a primeira dose ou dose única. Essa semana, a cidade atingiu a marca de 90% dos idosos completamente imunizados. Também há avanços quanto ao calendário vacinal de pessoas com comorbidades.

O resultado da campanha já é visto nas internações. Nas últimas quatro semanas houve queda de 62% nos casos graves de Covid e de 85% no número de mortes pela doença na capital fluminense.

Apesar da queda, as medidas de restrição na cidade continuam valendo o dia 9 de agosto. O boletim epidemiológico mostrou que 9 das 33 regiões do Rio tem risco considerado moderado de contágio pela doença. As outras 24 áreas são consideradas de alto risco.

Repescagem 

O secretário de saúde Daniel Soranz pediu a população que respeite a data destinada a idade quando for se imunizar. Na última quarta-feira, segundo ele, 74 mil pessoas foram aos postos de vacinação, na repescagem. Eram esperadas cerca de 30 mil.

“Isso prejudica a logística da campanha. Não espere para se vacinar. Chegou o dia? Vá ao posto. Nós estamos pedindo também o apoio das empresas para que liberem os funcionários que devem se vacinar na data correta”, disse o secretário.

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