Roraima pede ao Governo Federal o fechamento de fronteira com a Venezuela

Documento solicitando a medida foi entregue pelo senador Chico Rodrigues (DEM-RR) ao ministro da Secretaria de Governo, Luiz Ramos

Militar brasileiro observa venezuelanos que entram no país por Pacaraima, em Roraima
Militar brasileiro observa venezuelanos que entram no país por Pacaraima, em Roraima Foto: Nacho Doce - 19.ago.2018/ Reuters

André Spigariol, Vianey Bentes e Rudá Moreira,

Da CNN Brasil, em Brasília

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O governador de Roraima, Antonio Denarium (PSL), solicitou ao Governo Federal o fechamento das fronteiras do Brasil com a Venezuela e com a Guiana.

Após reunião interministerial no Ministério da Defesa, o entendimento conjunto dos ministros sobre o fechamento das fronteiras será levado para decisão final do presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, às 15h.

O documento solicitando o fechamento da fronteira foi entregue pelo senador Chico Rodrigues (DEM-RR) ao ministro da Secretaria de Governo, Luiz Ramos, no Ministério da Defesa. O senador defendeu o fechamento da fronteira em entrevista a jornalistas.

Bolsonaro recebeu também solicitação da Associação Médica Brasileira para que feche fronteiras com Venezuela e Guiana. Segundo Nympha Akel Salomão, que dirige a instituição em Roraima, o estado está vivendo um desabastecimento no sistema de saúde.

“O município de Pacaraima, que fica na fronteira,  recebe em média, entre 500 e 700 venezuelanos por dia, o que aumenta o risco de circulação do vírus em Roraima, além de sobrecarregar ainda mais os equipamentos  de saúde estaduais e da capital, principalmente após o primeiro caso suspeito relatado”, disse ela à CNN Brasil.

Situação na Venezuela

O governo da Venezuela informou no domingo (15) que sete novos casos de coronavírus foram detectados no país, elevando o total de infectados para 17 pessoas. Segundo Nicolás Maduro, até agora todos os doentes confirmados no país são casos importados de pessoas que estiveram em território estrangeiro. Mesmo assim, o Palácio de Miraflores determinou nesta segunda-feira (16) quarentena coletiva, social e laboral em sete estados, com o objetivo de prevenir a propagação da doença.

A medida entrou em vigor nos estados de Miranda, La Guaira, Zulia, Táchira, Apure e Cojedes, além do Distrito Federal – onde fica Caracas – na manhã desta segunda. “Todos ficamos em casa. À suspensão das aulas em todos os níveis, acrescentamos a suspensão do trabalho. Suspensão legal de todas as atividades de trabalho, exceto as de serviço social e necessidade premente”, explicou o Maduro. Ficarão isentas da quarentena as atividades de distribuição de alimentos, serviços de saúde e segurança pública. Os transportes também funcionarão, mas motoristas e demais operadores do sistema deverão usar máscaras ou outros utensílios para cobrir a boca.

“Avaliamos de maneira honesta e fria que a única maneira de interromper os canais de propagação é entrar, progressivamente e de maneira acelerada, em uma fase drástica da quarentena coletiva”, justificou o líder venezuelano, que já havia decretado estado de alerta em todo o país na sexta-feira (13), quando foram comunicados os dois primeiros casos de COVID-19 na Venezuela.

Hospitais em crise

Especialistas têm demonstrado preocupação com a situação da saúde pública venezuelana em meio à pandemia do novo coronavírus. De acordo com a ONG Médicos pela Saúde, 78% dos hospitais da Venezuela têm abastecimento irregular de água e 63% apresentaram falhas de eletricidade no ano passado.

Em dezembro, 28% das UTIs do país funcionavam de maneira intermitente ou estavam paradas. O país é o 176º entre 195 no Índice Global de Segurança Sanitária, elaborado por um painel de pesquisadores internacionais.

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