Roupas doadas a Petrópolis apodrecem e Justiça determina que sejam incineradas

Em sua decisão, magistrado destaca descaso das autoridades do município; Prefeitura e Estado divergem sobre responsabilidade

Acumulado de roupas doadas após tragédia em Petrópolis no início do ano
Acumulado de roupas doadas após tragédia em Petrópolis no início do ano Jaqueline Frizon/CNN Brasil

Leandro Resendeda CNN

no Rio de Janeiro

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A prefeitura de Petrópolis recolheu neste domingo (20) milhares de roupas e calçados doados após as chuvas de fevereiro, quando 233 pessoas morreram e quatro ainda estão desaparecidas.

As peças passaram dias ao relento, em uma praça da cidade, e chegaram a apodrecer, conforme consta em decisão do juiz Jorge Luiz Martins, da 4ª Vara Cível de Petrópolis. Agora, devido as condições das roupas, a Justiça determinou que sejam incineradas pela prefeitura.

As doações ficaram acumuladas em uma tenda na Praça Dr. Miguel Couto, no bairro do Alto da Serra, uma das regiões mais atingidas pelo temporal no mês passado. Em seu decisão, o magistrado destaca como material doado foi tratado com descaso por parte das autoridades do município.

Local em que ficaram roupas doadas às vítimas das fortes chuvas que atingiram Petrópolis, no Rio de Janeiro, em fevereiro / Jaqueline Frizon/CNN Brasil

O juiz visitou o local na semana passada e constatou a presença de ratos, gatos e insetos (baratas) nas roupas, que estavam “amontoadas, aparentemente úmidas, molhadas, putrefatas, impróprias ao uso humano’’.

Em nota, a prefeitura de Petrópolis informou que foi o governo do estado quem deixou acumular os donativos na Praça Dr. Miguel Couto, além de abandonar tendas e banheiros químicos no local.

A prefeitura informou, ainda, que só faz a distribuição de roupas novas, provenientes de doações feitas pela Receita Federal.

A CNN procurou a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, apontada pela prefeitura como responsável pelas doações abandonadas na praça, e a pasta informou que não montou a estrutura de triagem de doações e que as equipes do estado não tiveram contato com as roupas que ficaram acumuladas e apodreceram.

Na decisão, juiz Jorge Luiz Martins menciona, ainda, que as vítimas das chuvas merecem ser tratadas com respeito.

“Quanto aos donativos, desinfluente a espécie, natureza e quantidade, provenientes do solidarismo, do respeito, da consideração e da proteção àquele que está sendo açoitado pela dor da perda material e afetiva, um dor incurável, devastadora dos pilares estruturais das emocionalidades, a custódia e os atos de gerenciamento, em sentido lato, é do ente federativo municipal”, destaca o magistrado.

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