São Paulo bate recorde de sepultamentos no domingo

Capital paulista registrou, neste domingo (21), 373 enterros, maior número desde o início da pandemia

Por Bruno Oliveira e Débora Freitas, da CNN, em São Paulo

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A cidade de São Paulo bateu recorde de sepultamentos neste domingo (21). Foram enterradas 373 pessoas. O aumento de enterros obrigou a prefeitura a contratar funcionários.

A reportagem da CNN passou dois dias no maior cemitério da América Latina, o da Vila Formosa, na zona leste de SP, e constatou um ritmo de trabalho intenso, com um enterro atrás do outro. 

De acordo com os sepultadores, funcionários que enterram os corpos, na última semana foram feitos, em média, 80 enterros por dia, a maior parte de vítimas da Covid-19. 

Os dados divulgados pela Prefeitura de São Paulo são de mortes em geral, mas a Covid-19 fez disparar o número de enterros.

Em janeiro deste ano a cidade registrou 6.677 sepultamentos, um aumento de 17% na comparação com janeiro do ano passado, quando foram contabilizados 5.694. Já em 
fevereiro desse ano foram 5.962 enterros,  14,9% a mais que no mesmo mês de 2020, com 5.189.

Para dar conta do aumento de enterros, o número de funcionários nos cemitérios da cidade de São Paulo mais que dobrou desde o início da pandemia. Eram 173 sepultadores e a partir dessa semana serão 358.

No domingo (21), a costureira Gisele Muniz de Lima enterrou o marido, Márcio Soares Costa, de 39 anos. Contaminado pelo novo coronavírus, ele ficou uma semana internado, mas não resistiu. “Ele estava com 75% do pulmão comprometido, ficou uns três dias no oxigênio. Na quarta-feira, ele foi entubado e ontem morreu”, contou.

No mesmo dia, a Gislene Barros Cardoso sepultou a mãe, Alzenir Barros, de 77 anos, também vítima da Covid-19. Neste caso, a família teve apenas alguns minutos para se despedir. Quando a morte não é causada pelo novo coronavírus, os velórios permanecem limitados ao tempo máximo de uma hora de duração, com a presença de até 10 pessoas.

“A gente nem esperava por que você vê por aí, mas não imagina passar. A gente acha que não está acontecendo nada, a gente vê na mídia e acha que é brincadeira. Só que não é brincadeira. O negócio está feio e a gente tem que se cuidar, disse.

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