São Paulo tem 30 mil exames de coronavírus à espera de resultado

A Secretaria Estadual da Saúde informa que foram recebidas mais de 40 mil amostras recebidas para análise até agora

Técnico realiza teste do novo coronavírus em São Paulo
Técnico realiza teste do novo coronavírus em São Paulo Foto: Reprodução - 23.mar.2020/ Reuters

Estadão Conteúdo

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Uma semana após o governador João Doria (PSDB) anunciar uma força-tarefa para acelerar os testes de coronavírus que ainda aguardam resultado no estado, o Instituto Adolfo Lutz — laboratório público estadual responsável pelas análises — acumula cerca de 30 mil exames na fila para investigação, mais do que o dobro da demanda reprimida registrada quando a ação foi anunciada pelo governo. As informações estão em boletim epidemiológico da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo divulgado ontem com dados atualizados até 8 de abril.

No documento, a pasta informa que das 42.895 amostras recebidas até agora para análise, 6.374 estão em triagem, 1.976, em fase de encaminhamento e outras 21.661 encontram-se em análise, totalizando 30.011 testes ainda sem resultado.

No volume de testes ainda não finalizados, há amostras que foram enviadas ao instituto em meados de fevereiro, apontando que o prazo para a liberação dos resultados pode ultrapassar os 50 dias.

O número atual de exames na fila é 150% superior ao registrado no dia 30 de março, três dias antes de o governador anunciar a força-tarefa. Na ocasião, eram 12 mil testes à espera de avaliação, de acordo com o governo.

Além das amostras que aguardam resultado, há ainda 392 testes cancelados e 1.969 não realizados (o motivo não foi informado). Do total de exames recebidos para covid-19 desde fevereiro, só 10.523 tiveram resultados liberados, o que equivale a apenas 24 5% do total.

Demora

O boletim mostra que 18 exames que ainda aguardam processamento foram encaminhados ao instituto nas semanas epidemiológicas 8 e 9, que compreendem o período de 16 a 29 de fevereiro, ou seja, há mais de 50 dias.

A semana com mais testes represados é a 12, referente aos dias 15 a 21 de março. Somando os testes nas fases de triagem, encaminhamento e análise, são 8.881 exames daquele período ainda sem conclusão.

O cenário de falta de testes e demora na análise das amostras colhidas atrapalha o controle do surto porque impede que os números reais da circulação do vírus sejam conhecidos, destaca a médica sanitarista Ana Freitas Ribeiro, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

“Essa demora dificulta o monitoramento da epidemia e o acompanhamento do impacto das medidas de controle. Fica difícil saber se estamos conseguindo desacelerar a transmissão. Precisaria de modelos para estimar, mas eles podem ser frágeis, dependendo da metodologia e da informação empregada”, diz a especialista.

O epidemiologista Eliseu Waldman, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), destaca a importância do diagnóstico rápido também para o manejo correto dos pacientes. “Principalmente entre os que estão internados, o ideal é que você os mantenha separados de outros doentes para evitar a contaminação. Isso protege também o profissional de saúde. Sem os testes, podem ficar misturados pacientes com problemas respiratórios causados por uma influenza e aqueles com covid-19”, destaca.

Segundo balanço da quinta-feira, 9, o Estado de São Paulo acumula 7.480 casos confirmados e 496 mortes por coronavírus, número que pode aumentar de forma expressiva após a análise das amostras represadas.

Ao anunciar, no dia 2 de abril, ações para acelerar a realização dos testes, o governo de São Paulo prometeu formar uma rede de laboratórios que faria um mutirão para zerar a fila.

De acordo com o governo, seriam priorizados na análise os exames de pacientes hospitalizados ou os de vítimas fatais da doença. No dia 2, foi finalizada a análise de testes de 201 pacientes que morreram, dos quais 20 tiveram o resultado positivo para o coronavírus.

Rede

Procurada para comentar o aumento da fila de testes sem resultado, a Secretaria Estadual da Saúde afirmou que o Instituto Butantã passou a ser o responsável por articular a rede de laboratórios que farão o mutirão de análise dos exames.

O instituto, por sua vez, informou que o governo estadual conseguiu mobilizar uma rede de 45 laboratórios, entre públicos e privados, para agilizar o processamento dos testes e que, quando estiver em plena capacidade, a rede fará 8 mil exames diários – 2,5 mil no laboratório do Butantã, 1,8 mil na sede do Instituto Adolfo Lutz, outros 1,8 mil nas suas regionais e 2,9 mil nos demais laboratórios da rede, incluindo os privados. Atualmente, 34 das instituições da rede já estão habilitadas e 11, em fase de credenciamento.

Para o processamento dos exames, diz o Butantã, o Estado está abastecido com 99 mil kits de diagnóstico. Outros 725 mil, importados pelo instituto, deverão chegar no próximo domingo de uma compra que totaliza 1,2 milhão de kits.

O Butantã não informou quando a rede de laboratórios deve estar operando em sua capacidade máxima nem a estimativa de prazo para zerar a fila de amostras represada no Instituto Adolfo Lutz. Mas afirmou que, com o novo modelo, a estimativa é a de que os laudos passem a ser liberados 48 horas após a coleta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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