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    Senado avalia criar comissão para investigar desaparecimento de jornalista e indigenista

    Objetivo é que a comissão seja composta por nove membros titulares para, no prazo de 60 dias, acompanhar as buscas e investigar in loco as causas do desaparecimento

    Dom Phillips, jornalista britânico do The Guardian, e o indigenista Bruno Araújo Pereira (chapéu)
    Dom Phillips, jornalista britânico do The Guardian, e o indigenista Bruno Araújo Pereira (chapéu) Divulgação/Acervo Pessoal

    Tainá FarfanLuciana AmaralGabrielle Varelada CNN em Brasília

    O plenário do Senado Federal deve votar nesta segunda-feira (13) a criação de uma comissão externa temporária para acompanhar buscas e investigar o desaparecimento do jornalista Dom Phillips, colaborador do jornal britânico The Guardian, e do indigenista Bruno Araújo Pereira na Amazônia.

    A Polícia Federal (PF) confirmou que material encontrado durante as buscas, neste domingo (12), pertencia à dupla desaparecida. De acordo com nota enviada pela corporação, foram encontrados um cartão de saúde, uma calça, um chinelo e um par de botas pertencentes a Araújo; e um par de botas e uma mochila com roupas de Dom Phillips.

    Não há, porém, até o momento, confirmação oficial da PF de que os supostos corpos de Dom Phillips e Bruno Araújo Pereira foram encontrados. A Embaixada britânica disse que, “infelizmente, não podemos comentar ou confirmar informações neste momento”.

    A proposta de criação da comissão partiu do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da oposição na Casa, que apresentou o requerimento no plenário do Senado nesta segunda. Na justificativa do requerimento, ele argumenta que “o caso não pode ser tratado com indiferença, sendo necessário o envio de todos os recursos possíveis para que o caso tenha uma rápida solução”.

    Ele ressalta ser necessário se ter o esclarecimento “das causas do aparente crime, bem como de seus mandantes e executores, inclusive para que se tenham subsídios suficientes para evitar, de uma vez por todas, que o exercício da proteção ao meio ambiente e às minorias e que o exercício do jornalismo deixem de ser atribuições de risco no Brasil”.

    A ideia é que a comissão seja composta por nove membros titulares para, no prazo de 60 dias, acompanhar as buscas e investigar in loco as causas e as providências adotadas diante do desaparecimento de Dom Phillips e Bruno Araújo Pereira, inclusive servindo como subsídio para eventual pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

    Mais cedo, também no plenário, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou que, “caso se confirme o fato de terem sido eventualmente assassinados, caso isso se confirme, é uma situação das mais graves do Brasil”.

    “De fato, não por esse acontecimento apenas, mas por todo o contexto de um estado paralelo que se impõe no lugar e que, infelizmente, o Estado Brasileiro não consegue preencher suficientemente, é motivo de alerta e reação do Senado Federal”, declarou.

    O presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, senador Humberto Costa (PT-PE), informou à reportagem que o colegiado também deve votar medidas relacionadas ao desaparecimento de Dom Phillips e Bruno Araújo Pereira na próxima quarta-feira (15).

    A CDH e a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) devem ainda se “organizar para poderem se fazer presentes e identificar quais os reais problemas e diagnosticar esses problemas”, indicou Pacheco, ao negar ainda que a iniciativa tenha motivação política contra o atual governo federal.

    Procurado pela CNN, o Itamaraty informou que por meio da Embaixada em Londres, tem “mantido permanente contato com familiares do jornalista Dom Phillips, neste momento de aflição, para afiançar-lhes o máximo engajamento do governo brasileiro, em suas distintas instâncias, na apuração do caso”.

    “No mesmo sentido, na medida de sua competência, a Embaixada tem trabalhado para mantê-los informados de quaisquer desdobramentos nas investigações em curso, com o tratamento reservado que deve ser conferido sempre a situações que envolvam vidas humanas”, afirmou.

    O Itamaraty sugeriu que as “consultas sobre os pormenores da investigação em si” sejam encaminhadas aos órgãos a cargo das diligências.