Gari morto em BH: MP pede bloqueio de bens de empresário e esposa

Valor dos bens pode chegar a R$ 3 milhões; pedido partiu da defesa da vítima

Julia Farias, da CNN*, São Paulo
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O Ministério Público de Minas Gerais pediu que a Justiça bloqueie os bens de Renê da Silva Nogueira Junior, empresário que confessou ter matado o gari Laudemir de Souza Fernades após uma discussão de trânsito em Belo Horizonte. O pedido também vale para Ana Paula Balbino Nogueira, delegada e esposa do empresário.

Segundo o MP, o valor do bloqueio chega a R$ 3 milhões. “Com preferência para dinheiro em espécie ou depositado em qualquer modalidade de instituição e aplicação financeira”. A medida tem o objetivo de impedir que os bens sejam desviados e garantir que os familiares do gari recebam eventual indenização.

Renê foi preso em flagrante pela Polícia Civil por ser o principal suspeito de assassinar o gari Laudemir de Souza, na manhã da última segunda-feira (11), em Belo Horizonte, Minas Gerais. Em um novo interrogatório, realizado nesta segunda-feira (18), o empresário confessou o crime.

O pedido para o bloqueio de bens do casal partiu da defesa da vítima. Após a solicitação, o MP entendeu que o padrão de vida exposto pelo empresário e a esposa nas redes sociais - além das trajetórias profissionais de ambos - “fazem presumir a capacidade financeira para arcar com a quantia indenizatória”.

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"Na visão do ministério, a medida deve atingir também a esposa do suspeito, por entender que, como dona da arma de fogo usada no crime, ela responde solidariamente pelo caso", explicou o MP.

Novo interrogatório

Após confessar o crime em um novo depoimento na sede do DHPP (Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa), Renê também alegou que a sua esposa, delegada da Polícia Civil, não tinha conhecimento de que ele havia pego a arma particular dela, uma pistola calibre .380, para cometer o crime.

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil já havia instaurado um procedimento disciplinar e um inquérito policial para investigar a delegada Ana Paula Balbino Nogueira.

Após ser preso horas após o crime, Renê negou envolvimento no homicídio, mas revelou ser casado com uma delegada e permitiu a entrada dos policiais em sua residência.

No local, foi encontrada a pistola usada no assassinato, e que estava registrada no nome de sua esposa. A perícia confirmou que o projétil que atingiu o gari partiu dessa arma. A delegada entregou a pistola voluntariamente e afirmou que o marido não tinha acesso aos seus armamentos e que ela desconhecia o crime.

Flagrado por câmeras de segurança

De acordo com as investigações, imediatamente após atirar em Laudemir durante a discussão de trânsito, Renê foi flagrado por câmeras de segurança na garagem do prédio, onde manuseou a arma do crime e a guardou em uma mochila.

Horas mais tarde, o empresário revelou durante audiência de custódia que ainda foi passear com seus cachorros. A sequência de ações culminou com sua localização e prisão pela polícia enquanto ele treinava em uma academia.

Relembre o caso

O crime aconteceu na semana passada, por volta das 9h03 na Rua Modestina de Souza, bairro Vista Alegre. De acordo com a Polícia Militar, Laudemir trabalhava na coleta de lixo quando o veículo do empresário, uma BYD de cor cinza, parou no sentido contrário ao caminhão e o condutor se irritou, alegando que o veículo atrapalhava o trânsito.

empresário apontou a arma para a motorista do caminhão e ameaçou “dar um tiro na cara”. De acordo com as testemunhas, ao ultrapassar o caminhão, Renê desembarcou com a arma em punho, deixou o carregador cair, recolocou-o, fez o manejo e disparou contra o gari.

O disparo atingiu a região das costelas do lado direito, atravessou o corpo e se alojou no antebraço esquerdo. O executivo estava em uma academia após o crime, quando foi localizado e preso.

*Sob supervisão de AR.