Justiça convoca novo desembargador para julgar caso de estupro em MG

Substituição ocorre após Magid Nauef Láuar, da 9ª Câmara Criminal do TJMG, absolver homem de 35 anos que manteve relação com uma menina de 12 anos

Bruna Lopes, da CNN Brasil*, em São Paulo
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Em razão do afastamento do desembargador Magid Nauef Láuar, determinado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) na sexta-feira (27), o TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) convocou um novo magistrado para compor a 9ª Câmara Criminal no lugar do desembargador.

O juiz de Direito José Xavier Magalhães Brandão, titular da 11ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte, será o novo relator da câmara e assumirá os processos anteriormente conduzidos por Láuar, entre eles o caso da absolvição de um homem de 35 anos acusado de manter relação sexual com uma menina de 12 anos.

O caso ganhou repercussão após o desembargador absolver o homem sob o argumento de existência de “vínculo afetivo consensual” e de uma “constituição de núcleo familiar” entre o acusado e a criança. O fato gerou revolta e culminou ainda na reavaliação do processo pelo magistrado, anulando a então absolvição.

Na nova decisão, Magid abriu o voto reconhecendo a necessidade de revisão do entendimento. “Se temos um desejo sincero de descobrir como é o mundo, devemos estar preparados para corrigir erros; se vamos corrigi-los, devemos estar preparados para cometê-los”, escreveu, ao citar o filósofo David Miller.

Denúncias e afastamento

A Corregedoria Nacional de Justiça recebeu denúncias de abuso sexual contra o Magid Nauef Láuar após a repercussão do caso e instaurou um processo administrativo disciplinar para investigá-lo. Ao todo, o CNJ já colheu cinco depoimentos de pessoas que acusam o desembargador de abuso sexual.

Devido a gravidade das denúncias, o órgão determinou o afastamento cautelar do desembargador.

Veja também: Estupro de menina em MG: primo acusa desembargador de abusá-lo aos 14 anos

Caso as denúncias sejam confirmadas, ele poderá ser aposentado compulsoriamente com vencimentos proporcionais, a penalidade administrativa mais severa prevista para magistrados.

*Sob supervisão de Tonny Aranha