Justiça mantém prisão preventiva de médica acusada de matar farmacêutica

Acusados vão ter 10 dias para responder; suspeitos estão presos desde novembro de 2025

Ana Clara Machado, da CNN Brasil*, Thiago Félix, da CNN Brasil, São Paulo
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A Justiça de Minas Gerais recebeu a denúncia do Ministério Público do estado contra a médica Claudia Soares Alves e o vizinho dela, Paulo Roberto Gomes da Silva, acusados do homicídio qualificado da farmacêutica Renata Bocatto Derani, morta a tiros em novembro de 2020, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. 

Além de aceitar a denúncia, o juiz responsável pelo caso manteve as prisões preventivas dos dois réus. 

A decisão aponta que os acusados estão segregados cautelarmente desde 5 de novembro de 2025, quando a prisão temporária foi convertida em preventiva. Segundo o magistrado, a situação dos acusados permanece inalterada, com provas dos fatos e indícios de autoria. 

Claudia Soares Alves foi denunciada por homicídio qualificado, enquanto Paulo Roberto Gomes da Silva responde pelo mesmo crime, além de adulteração de sinal identificador de veículo, ou seja, adulteração de placa. 

O homicídio qualificado é considerado crime hediondo, e as penas máximas previstas ultrapassam quatro anos de prisão. Os acusados terão o prazo de dez dias para responder à acusação, por escrito, por meio de advogado. Após a apresentação das defesas, o Ministério Público terá cinco dias para se manifestar. 

Motivação do crime

A neurologista teria mantido um relacionamento com o ex-companheiro da vítima. O homem decidiu se separar ao perceber que a médica apresentava comportamentos obsessivos.

A médica também deseja assumir a maternidade da filha que o homem tinha com a farmacêutica. Após a separação, Cláudia teria planejado o assassinato da farmacêutica para ficar com a criança.

Sequestro de criança

Além da execução, Cláudia foi apontada pela Polícia Civil de Minas Gerais como responsável por sequestrar uma bebê recém-nascida em Uberlândia (MG), a cerca de 540 quilômetros de Belo Horizonte. A médica entrou no quarto onde a criança estava e levou-a do quarto da mãe. Em seguida, ela foi a um banheiro, colocou a bebê em uma mochila e saiu do hospital.

A menina foi raptada em 2024, no Hospital das Clínicas de Uberlândia e encontrada em Itumbiara (GO). A criança foi devolvida à família no mesmo dia. Na época, a defesa da suspeita alegava "surto psicótico".

Um laudo foi apresentado informando que a presa estava em tratamento psiquiátrico desde 2022. Segundo o laudo, ela “apresenta diagnósticos de transtorno afetivo bipolar, transtorno de ansiedade generalizada e transtorno do pânico” e recebeu prescrição de medicações específicas. 

 

*Sob supervisão de AR.