Passeio, academia e atendimento médico; veja passos de homem que matou gari
Investigação aponta que Renê da Silva Nogueira Junior foi à academia e passeou com cães após o homicídio; decisão judicial que o manteve preso destaca 'frieza' e 'periculosidade'

O empresário Renê da Silva Nogueira Junior, que confessou ter matado o gari Laudemir de Souza Fernandes em Belo Horizonte, seguiu uma rotina que surpreendeu as autoridades nas horas seguintes ao crime.
A cronologia dos fatos, reconstruída pela polícia, detalha os passos do acusado desde o momento do disparo até sua prisão em uma academia, revelando uma conduta que a Justiça classificou como uma "decisão consciente e voluntária de usar a violência letal".
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De acordo com as investigações, imediatamente após atirar em Laudemir durante uma discussão de trânsito, Renê foi flagrado por câmeras de segurança na garagem do prédio, onde manuseou a arma do crime e a guardou em uma mochila.
Horas mais tarde, o empresário revelou durante audiência de custódia que ainda foi passear com seus cachorros. A sequência de ações culminou com sua localização e prisão pela polícia enquanto ele treinava em uma academia.
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Prisão na academia e negação inicial
A conduta do suspeito chamou a atenção do juiz durante a audiência de custódia, que tornou o flagrante em prisão preventiva. O magistrado questionou a aparente normalidade do empresário: "Comete um crime desse porte, desse nível e vai treinar numa academia?".
No momento da abordagem policial, Renê negou o envolvimento no homicídio, mas revelou ser casado com uma delegada e permitiu a entrada dos policiais em sua residência.
No local, foi encontrada a pistola calibre .380 usada no assassinato, registrada no nome de sua esposa, a delegada Ana Paula Balbino Nogueira. A perícia confirmou que o projétil que atingiu o gari partiu daquela arma.
A delegada entregou a pistola voluntariamente e afirmou que o marido não tinha acesso aos seus armamentos e que ela desconhecia o crime.
Nesta segunda-feira (18), ele confessou o crime e disse que sua esposa não sabia que ele havia pego a arma dela.
Atendimento médico
Durante a audiência, a defesa de Renê solicitou e conseguiu que a unidade prisional fornecesse atendimento médico com medicação controlada e que fossem proibidos registros fotográficos do empresário detido.
A Justiça acatou os pedidos, mas converteu a prisão em flagrante em preventiva, reforçando a "periculosidade social do agente" com base em seu comportamento pós-crime e em seu histórico, que inclui outros registros policiais.

