Projeto de combate a doenças transmitidas por mosquitos será testado em MG

Desenvolvido pelo Google, plano visa acelerar liberação mosquitos Aedes aegypti com bactéria que reduz transmissão de doenças vai ser implementado em Belo Horizonte

Felipe Andrade, da CNN
Uma mão usando luvas manipula um recipiente com mosquitos em um ambiente laboratorial
Bactéria está em 60% dos insetos, mas ausente no Aedes aegypti  • Flávio Carvalho/WMP Brasil/Fiocruz
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A cidade de Belo Horizonte vai abrigar um projeto-piloto do Google que visa acelerar o combate a proliferação de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, tais como dengue, zika e chikungunya.

A iniciativa permitirá automatizar e acelerar a liberação e o monitoramento de milhares de mosquitos com Wolbachia, bactéria que reduz a transmissão de doenças.

O método Wolbachia já é utilizado em cidades do país de forma convencional. A primeira cidade a utilizar o método em si foi Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Belo Horizonte será a primeira cidade a receber o projeto automatizado do Google.

Como vai funcionar

O projeto utiliza vans adaptadas com tecnologias criadas para a liberação de mosquitos e o monitoramento das ações via sistema de GPS, permitindo a cobertura de áreas mais extensas em menor espaço de tempo.

O trabalho será realizado em parceria com o World Mosquito Program (WMP) Brasil e a Wolbito do Brasil. As duas entidades são as responsáveis pela coordenação do método Wolbachia no Brasil. Conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com financiamento do Ministério da Saúde, o método é patenteado pelo World Mosquito Program Global e está presente no Brasil há mais de dez anos.

O que é Wolbachia

Presente em 14 países, o método consiste em liberar no ambiente mosquitos inoculados com a Wolbachia, para que se reproduzam com a população local de Aedes aegypti e gerem descendentes também portadores da bactéria e, portanto, com menores chances de transmitir dengue, chikungunya ou zika para humanos.

Presente em 14 países, o método consiste em liberar no ambiente mosquitos inoculados com a Wolbachia, para que se reproduzam com a população local de Aedes aegypti e gerem descendentes também portadores da bactéria e, portanto, com menores chances de transmitir dengue, chikungunya ou zika para humanos.

As wolbachias são um gênero de bactérias presente em mais da metade dos insetos do mundo, estima a ciência. Em estudos desenvolvidos desde o início dos 2010, cientistas conseguiram reproduzir com segurança Aedes aegypti infectados com espécies de wolbachias que não ocorreriam naturalmente no mosquito.

No Aedes, tais bactérias demonstraram ser capazes de impedir a multiplicação de diferentes arbovírus transmissíveis aos humanos, sendo ao mesmo tempo capazes de favorecer que mosquitos com a bactéria tenham uma vantagem reprodutiva sobre populações não infectadas.

Segundo a Fiocruz, a expectativa é que para cada R$ 1 investido, a economia do governo em medicamentos, internações e tratamentos em geral gire entre R$ 43,45 e R$ 549,13.