TJ determina que acusado de jogar namorada do 8º andar vá a júri popular
Crime aconteceu em 2022, a vítima morreu após ser agredida e arremessada do prédio
O réu Raul Rodrigues Costa Lages, acusado de homicídio qualificado, deve ser submetido ao Tribunal do Júri. A decisão foi tomada pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, sumariante do 1º Tribunal do Júri da Comarca de Belo Horizonte e a determinação foi divulgada nesta segunda -feira (20) pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
Lages é acusado de homicídio qualificado após ter matado a namorada, a advogada Carolina da Cunha Pereira França Magalhães, que tinha 40 anos na época do crime. O caso aconteceu na noite de 8 de junho de 2022, no bairro São Bento, na capital mineira.
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), "o denunciado teria agredido a companheira e provocado a morte dela ao lançá-la do 8º andar do prédio em que moravam."
O MPMG ofereceu denúncia contra Raul Rodrigues Costa Lages pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe (sentimento de posse), recurso que dificultou a defesa da vítima e por feminicídio, cometido em contexto de violência doméstica. O MP sustentou que o crime foi motivado pelo inconformismo do réu com o término do relacionamento.
A defesa do acusado pediu a absolvição do réu com base no depoimento, no qual ele nega ter participado da morte e afirma que estava no elevador, descendo para o térreo, quando a vítima teria caído.
No entanto, ao analisar o caso, a juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza destacou que o laudo de cronologia e deslocamento do réu, demonstrou que Raul Rodrigues Costa Lages estava no 8º andar no momento da queda da vítima e permaneceu no imóvel por cerca de quatro minutos após o corpo ter atingido o solo, divergindo da versão de que estaria no elevador.
Diante disso, a magistrada considerou haver indícios razoáveis da autoria e materialidade do delito, suficientes para determinar a realização de júri popular. "Havendo suporte probatório, cabe ao Tribunal do Júri Popular apreciar o conjunto de provas de forma aprofundada e proferir o veredicto definitivo."
Junto à decisão de levar o réu a júri popular, a juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza concedeu ao advogado o direito de responder ao processo em liberdade.
Imagens do dia da morte de Carolina aumentam as suspeitas em relação a Lages, que será levado ao Tribunal do Júri, acusado de homicídio triplamente qualificado.
Veja vídeo:
Entenda a ordem dos fatos
- 19H29: Carolina e Raul chegam no apartamento da vítima
- 20h43: Raul desce para buscar entrega de comida, trajado de bermuda e camiseta
- 20h48: retorna ao apartamento
- 21h11: os filhos da vítima descem para ir assistir ao jogo do Atlético Mineiro em bar próximo a residência
- 23h11: após ouvir um forte barulho, funcionário do prédio vai verificar e encontra o corpo de Carolina
- 23h14: é possível observar o elevador vazio, o que desmonta a tese de que Raul não teria escutado o barulho da queda por estar no elevador
- 23h15: Raul desce, vestido com trajes sociais, carregando uma sacola cheia de objetos
- 23h16: o funcionário do prédio avisa o ex-companheiro sobre a queda da Carolina
- 23h17: menos de um minuto após ter visto o corpo de Carolina, Raul sai do prédio em busca do próprio carro que estava estacionado na rua
- 23h18: no momento em que a ambulância chega para o atendimento da vítima, Raul, já sem a sacola, volta ao prédio
- 23h20: os filhos retornam ao prédio após serem avisados pelo Raul do acidente


