Veja vídeo que levou polícia a investigar acidente como feminicídio em MG

Em um primeiro momento, morte de mulher foi relacionada com acidente de trânsito; segundo a polícia, imagens contradizem dinâmica do acidente e as lesões apresentadas pela vítima e pelo agressor

Daniela Mallmann, da CNN Brasil, Julia Farias, colaboração para a CNN Brasil, em São Paulo
Corpo da vítima passou por uma nova autópsia que apontou indícios de asfixia  • Reprodução/Itatiaia
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Imagens registradas em um pedágio de Minas Gerais fizeram a Polícia Civil passar a investigar um suposto acidente de carro como feminicídio. Em um primeiro momento, a morte da mulher foi relacionada, de fato, com o acidente de trânsito. No entanto, segundo a polícia, o vídeo contradiz a dinâmica do acidente e as lesões apresentadas pelos ocupantes do veículo (a vítima e o agressor).

Após a análise das câmeras de segurança, a polícia prendeu um homem, de 43 anos, suspeito de matar a companheira e simular o acidente de carro para encobrir o crime.

De acordo com as investigações, ele teria matado a mulher, a colocou no banco do motorista do carro e em seguida simulou o acidente de trânsito na MG-050, em Itaúna, na região oeste de Minas Gerais, na manhã de domingo (14).

Ponto a ponto do vídeo

Na gravação, é possível ver o veículo chegando ao pedágio conduzido pelo homem, que está sentado no banco do passageiro, enquanto a mulher aparece desacordada, ocupando o banco do motorista. Assista:

No vídeo, o homem aparece fazendo o pagamento do pedágio, enquanto a atendente observa a mulher desacordada. Para os policiais, ela relatou que havia perguntado ao homem sobre o estado da mulher, e ele afirmou que ela estaria apenas passando mal.

A atendente ainda afirmou que chegou a perceber que o homem estava agitado, suado e com arranhões pelo rosto.

Versão do suspeito à polícia

Em depoimento à polícia, o suspeito alegou que, durante o trajeto, ele e a mulher tiveram uma discussão, quando ele teria a agredido. Nesse momento, a mulher, que dirigia o veículo, estacionou o carro no acostamento quando, segundo o homem, ambos passaram a se agredir.

Durante a discussão, o homem afirma que chegou a empurrar a vítima, bater a cabeça dela com força contra o veículo e pressionar o pescoço dela, parando com a ação apenas quando a mulher desmaiou. Posteriormente, com a mulher inconsciente, o homem assumiu a direção do carro pelo banco do passageiro, quando passaram pelo pedágio [momento registrado no vídeo].

Passado o pedágio, o homem alega que parou o veículo, momento em que a mulher teria acordado e a discussão voltou a acontecer. Antes do acidente, a dupla parou o carro novamente, quando o suspeito passou a asfixiá-la.

Segundo o delegado responsável pelo caso, o autor ainda alegou que, ao tomar consciência novamente, a mulher chegou a dizer que o mataria e teria jogado o veículo contra o micro ônibus.

"Essa versão dele é refutada, uma vez que uma testemunha desceu do micro ônibus, se aproximou da vítima e viu que ela já estava gelada. [...] Para que a pessoa tivesse o corpo resfriado, a vítima teria que ter morrido no mínimo de uma a duas horas antes", afirmou o delegado.

Prisão do suspeito

Os investigadores confirmaram que as marcas encontradas no corpo da vítima coincidiam com agressões físicas. Com as suspeitas sobre a autoria do crime, os agentes entraram em contato com um familiar da vítima solicitando que o sepultamento fosse adiado e o suspeito monitorado de forma discreta, durante o velório.

Algum tempo depois uma viatura descaracterizada chegou ao local e os agentes deram voz de prisão ao suspeito. Na delegacia, o homem confessou que teria agredido a vítima, inclusive, durante o trajeto.

corpo da mulher passou por uma nova autópsia, que apontou indícios de asfixia. A perícia do acidente também concluiu que a colisão, por si só, não levaria a mulher a óbito.

Segundo a polícia, a vítima sofria violência doméstica, comprovada por fotos das lesões no aparelho celular e registros hospitalares.

Aos investigadores, o homem alegou que havia bebido na noite de sábado (13) e que por isso a mulher estava conduzindo o veículo no momento do acidente. Os aparelhos celulares de ambos estão com a Polícia Civil. Ele segue preso.