"Brasil estava morto que nem seus pais": argentina é denunciada por ofensa
Advogado criminalista publicou vídeo relatando mensagens que mulher teria enviado para sua sobrinha nas redes sociais; defesa nega

O advogado criminalista Sergio Figueiredo publicou um vídeo nas redes sociais no qual atribui a uma mulher argentina o envio de mensagens ofensivas a sobrinhos dele, após a final da Copa do Mundo.
Segundo o advogado, a mensagem afirmava que "o Brasil estava morto que nem" os pais dos jovens, já falecidos. Ele classifica a conduta como imoral e diz que pretende acionar a autora criminalmente.
Sergio afirmou que irá tomar as medidas criminais cabíveis contra a argentina. "É anti-jurídico, é antes de tudo, profundamente imoral. Zombar da morte dos pais de uma criança não é humor", acrescenta o advogado.
Em entrevista à CNN Brasil, Figueiredo relatou que, dias antes, havia publicado um vídeo criticando um turista argentino acusado de chamar um brasileiro de "macaco" na Bahia. Ele afirma que, em reação, a mulher passou a atacar sua família.
O advogado a descreve como "uma adulta, arrasada porque o time dela perdeu a Copa, escolheu como alvo duas crianças enlutadas para fazer piada com a morte dos pais dela". Segundo Sergio, a sobrinha é menor de idade e sofre muito com a perda dos pais.

Ele diz que o ocorrido não é um caso isolado, e que não vai deixar passar. "Não é provocação de torcida, é maldade travestida de piada", acrescenta.
O advogado afirma que pretende representar a mulher com base no artigo 232 do ECA, que pune submeter criança ou adolescente "sob sua autoridade, guarda ou vigilância" a vexame ou constrangimento, com pena de seis meses a dois anos.
Ele cita ainda a Lei Henry Borel (Lei nº 14.344/2022), que criou mecanismos de proteção contra a violência doméstica e familiar contra crianças e adolescentes, e o artigo 146 do Código Penal, que trata do constrangimento ilegal mediante violência ou grave ameaça.
Outro lado
Em nota enviada à CNN Brasil, a advogada Carla Junqueira, que representa a mulher e o companheiro dela, afirma que o episódio decorre de um conflito familiar. Segundo a defesa, a cliente é cunhada de Figueiredo, companheira de um irmão dele.
"O episódio que deu origem a essa situação ocorreu em ambiente privado, marcado por provocações e campanhas anti‑Argentina nas redes, inclusive envolvendo jovens da família. A mulher, em reação emocional, dirigiu uma mensagem inadequada a dois sobrinhos, que não são mais crianças e posteriormente pediu desculpas diretamente a eles. Esse gesto isolado está sendo descontextualizado e apresentado ao público como se fosse uma conduta permanente de “maltrato a crianças”, o que é falso e profundamente injusto", afirmou.
A defesa sustenta que os sobrinhos "não são mais crianças" e que a mensagem foi uma reação emocional isolada, seguida de pedido de desculpas. Afirma ainda que o advogado usa o caso para projeção política e diz que adotará medidas nas esferas cível, penal e profissional.
"Como advogada do casal, ressalto que eles não alimentam qualquer campanha contra o Brasil ou contra brasileiros. Ao contrário, sua vida pessoal e profissional é um exemplo de integração entre Argentina e Brasil, construída com respeito recíproco", disse a advogada.
Procurado, Figueiredo confirma que a mulher namora ou namorou seu irmão, mas nega ter tido contato com ela e nega a existência de discussão familiar.


