Capitão da PM é afastado após suspeita de conversas com traficantes do CV
Um dos criminosos seria o traficante Doca, líder do Comando Vermelho. Os dois estariam negociando a retirada de barricadas

O capitão da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, identificado como Alessander Ribeiro Estrella Rosa, do Batalhão de Belford Roxo (39º BPM), cidade da Baixada Fluminense, teria sido flagrado em conversas de áudios e vídeos com traficantes do Comando Vermelho.
A Corregedoria da PM afastou o policial no sábado (24/01) após tomar conhecimento da gravação onde ele estaria negociando a retirada de barricadas na cidade de Belford Roxo.
Em um dos áudios atribuído ao capitão Alessander Ribeiro, ele teria dito para um dos criminosos que tinha conseguido negociar a situação. A Corregedoria da Polícia Militar apura se um dos traficantes que aparece nas gravações é Soró, apontando com um dos líderes do CV em Belford Roxo.

Em outra parte da gravação que seria uma vídeo-chamada, quem teria aparecido conversando com o capitão da Polícia Militar é o traficante Doca, líder do Comando Vermelho na Penha e um dos criminosos mais procurados do Rio de Janeiro.

Em nota, a Polícia Militar do RJ informou que o capitão "é réu em um processo em tramitação na Auditoria da Justiça Militar do Estado do Rio de Janeiro (AJMERJ)", e que " tão logo tomou conhecimento da denúncia, o policial militar foi imediatamente afastado de suas funções, sendo instaurado procedimento apuratório pela Corregedoria Geral da Corporação (CGPM), com a finalidade de esclarecer e apurar os fatos".
Ainda segundo a PM, o Comando da Secretaria de Estado de Polícia Militar (SEPM) diz que "não compactua com quaisquer desvios de conduta ou com a prática de ilícitos por parte de seus integrantes, adotando medidas firmes e rigorosas sempre que houver a devida comprovação dos fatos, em estrita observância aos princípios da legalidade, da ética e da disciplina institucional".
Esse mesmo capitão que aparece nas imagens, foi preso em maio de 2025, suspeito de integrar um "grupo de extermínio", ele foi investigado por envolvimento em execuções ligadas ao jogo do bicho.
Quando foi em agosto de 2025, a empresa Consórcio RJ Vigilância Inteligente assinou um contrato de R$ 118 milhões para instalar e gerir equipamentos de câmeras nos carros da Polícia Militar.
No entanto, em novembro, o Secretário de Estado da Polícia Militar, nomeou o mesmo capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa, para compor a Comissão de Fiscalização do Batalhão de Belford Roxo (39º BPM), com objetivo de fiscalizar o contrato entre a Polícia Militar e a empresa Consórcio RJ Vigilância Inteligente.

A CNN Brasil procurou também a Corregedoria para apurar mais detalhes sobre o a gravação, e até a última atualização dessa reportagem, não tínhamos obtido uma resposta.
Sobre as denúncias e o processo em que ele é réu na Auditoria da Justiça Militar do Estado do Rio de Janeiro (AJMERJ), nós procuramos o MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) e o MPF (Ministério Público Federal) e não obtivemos retorno.


