Caso João Pedro: PMs acusados de envolvimento na morte irão a júri popular
Decisão proferida nesta terça-feira (24) atende recurso do Ministério Público do estado; agentes ainda podem recorrer

Os policiais acusados de envolvimento na morte do João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, morto em maio de 2020 após ser baleado durante uma operação no Complexo do Salgueiro, irão a júri popular, segundo decidiu a Justiça do Rio nesta terça-feira (24). Os agentes ainda podem recorrer da decisão
A decisão se dá após um recurso do Ministério Público e da Defensoria Pública do estado.
O julgamento do recurso já havia sido votado em maio, por dois magistrados, incluindo o relator do caso, desembargador Marcelo Castro Anátocles da Silva Ferreira, mas foi suspenso após pedido de vista.
A CNN procurou a defesa dos policiais envolvidos no caso e aguarda retorno.
Relembre o caso
O menino foi morto com um tiro de fuzil durante uma operação das polícias Civil e Federal, em 2020, no complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.
Ele brincava com os primos na casa de parentes quando foi atingido na barriga e levado para um helicóptero, onde teria ficado desaparecido por 17 horas até ser declarado morto.
Na época, os agentes alegaram que seguranças dos traficantes da região teriam disparado contra os policiais e iniciado um confronto. No entanto, segundo a denúncia do MPRJ, os policiais “adentraram no terreno e alvejaram, sem nenhum motivo justificador, a residência em cujo interior se encontravam seis jovens desarmados, vindo a atingir e matar a vítima”.
Ainda segundo a denúncia, Mauro, Maxwell e Meister alteraram o local do crime com a “intenção de criar vestígios de suposto confronto com criminosos”. Segundo o MPRJ, eles teriam plantado diversos artefatos explosivos e uma pistola, além de terem produzido marcas de disparos de arma de fogo junto ao portão da garagem do imóvel.
Ao enviar a denúncia à Justiça, o Ministério Público informou que o crime foi cometido “por motivo torpe, pelo fato de os denunciados presumirem haver criminosos no local, pretendendo agir ofensivamente para matá-los mesmo sem que houvessem”. A denúncia foi aceita em 2022.


