Henry Borel: começa interrogatório de Jairinho em júri no Rio
Ex-vereador não deve responder aos questionamentos feitos pela juíza responsável pelo júri, pela acusação e pelos advogados de Monique Medeiros
O interrogatório de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, começou na tarde desta terça-feira (2), durante o nono dia do julgamento da morte de Henry Borel, no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.
Antes do início das perguntas, Jairinho conversou com integrantes de sua defesa no plenário do tribunal.
O ex-vereador não deve responder aos questionamentos feitos pela juíza responsável pelo júri, pela acusação e pelos advogados de Monique Medeiros.
O depoimento de Jairinho começou logo após o encerramento do interrogatório de Monique. Mais cedo, Monique acusou Jairinho pela morte do filho e relatou episódios de ciúmes, controle e violência durante o relacionamento com o ex-vereador.
O que Jairinho deve falar, segundo a defesa
Segundo a defesa de Jairinho, houve uma mudança na estratégia adotada pelos advogados de Monique ao longo do julgamento, algo considerado legítimo dentro do processo.
Jairinho responderá apenas às perguntas formuladas pela própria defesa. "Muitas vezes tenta-se inserir uma série de Fake News e pegadinhas. Isso não cabe no Tribunal do Júri, então, ele vai responder as questões da própria defesa", disse.
Os advogados afirmaram que já esperavam que a ré adotasse uma linha de defesa mais voltada à responsabilização do ex-vereador.
A defesa também citou o depoimento dos peritos ouvidos nos últimos dias do julgamento. Segundo os advogados, os especialistas teriam sido claros ao afirmar que determinadas lesões não ocorreram da forma apontada pela acusação.
Monique culpa Jairinho e cita rotina de ciúmes e controle
Ao longo do interrogatório, Monique Mederios afirmou que o comportamento de Jairinho mudou gradualmente e que, inicialmente, interpretava determinadas atitudes como demonstrações de cuidado. Ela relatou episódios de ciúmes, controle e violência durante o relacionamento.
Segundo ela, os dois se conheceram em agosto de 2020, por meio do Instagram, e começaram a se relacionar após o período eleitoral daquele ano.
Monique afirmou que o controle começou quando Jairinho pediu acesso à sua localização em tempo real. De acordo com o relato, ela acreditava que aquilo era uma demonstração de preocupação. Com o passar do tempo, segundo a ré, o então vereador passou a controlar amizades, roupas e publicações nas redes sociais.
“Não gostava que eu conversasse com homens nem que publicasse fotos de biquíni”, afirmou. Ainda segundo Monique, Jairinho dizia que, por ser um homem “politicamente exposto”, ela precisava mudar a forma de se vestir.
A ré declarou também que chegou a acreditar que o ex-vereador havia grampeado seu telefone, porque ele parecia saber detalhes sobre sua rotina, os lugares que frequentava e até as roupas que usava.


