Influenciadores do "grau" são alvos de operação por divulgar manobras no RJ

Ação da Polícia Civil busca desarticular rede que promovia “pegas” e “graus” em vias públicas

Camille Couto, da CNN Brasil, no Rio de Janeiro
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A PCERJ (Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro) realizou, nesta segunda-feira (08), a Operação Zero Grau, que mira influenciadores suspeitos de divulgar manobras perigosas em vias movimentadas do Rio de Janeiro. Até o momento, seis pessoas foram presas em flagrante.

Agente da DRCI (Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática) cumprem 17 mandados de busca e apreensão na zona Norte, zona Sudoeste e na Baixada Fluminense. Durante a ação, também foi apreendido oito carros, um jet ski, um reboque, um quadriciclo e nove motocicletas.

As investigações começaram após a circulação de vídeos em redes sociais, mostrando motociclistas realizando “pegas”, “graus” e outras manobras de risco em áreas de grande fluxo. Os envolvidos fariam parte de um grupo adepto do chamado “grau de rua”, prática considerada ilegal.

Segundo a polícia, as prisões em flagrante são resultado de uma investigação paralela sobre jogos ilícitos relacionados ao chamado “tigrinho”. Celulares apreendidos apontam que os detidos incentivavam apostas on-line, o que motivou a autuação imediata.

Em janeiro, um homem percorreu a Ponte Rio-Niterói em uma moto aquática adulterada. Ele equipou o veículo com rodas e o batizou de “motojet”. Imagens foram publicadas pelo próprio condutor, mostrando o trajeto pela via expressa.

De acordo com os agentes, os suspeitos integravam uma rede organizada de perfis digitais que promovia práticas ilícitas de trânsito. As apurações identificaram postagens sincronizadas, uso de hashtags semelhantes e aparições conjuntas em vídeos, além da divulgação de eventos clandestinos envolvendo motocicletas e veículos de alto valor.

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Os influenciadores são investigados por atentado contra a segurança de meios de transporte, adulteração de sinal identificador de veículo, incitação ao crime e associação criminosa.

Nesta fase da operação, os agentes buscam interromper a continuidade das práticas divulgadas e impedir que as manobras sejam usadas como entretenimento digital. Telefones e outros dispositivos eletrônicos estão entre os materiais apreendidos para identificar novos envolvidos e localizar veículos relacionados às condutas investigadas.