Mãe de Oruam e esposa de "Marcinho VP": quem é foragida de ação contra o CV

Márcia Gama é apontada comoum dos principais elos de comunicação da facção carioca entre sistema prisional e integrantes da organização fora dos presídios; sobrinho liderança também é procurado da Justiça

Vitor Bonets, colaboração para a CNN Brasil, em São Paulo
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A mulher identificada como Márcia Gama, foragida da Justiça após não ser localizada pela PCERJ (Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro) durante uma operação contra o CV (Comando Vermelho), na manhã desta quarta-feira (11), é mãe do artista conhecido como Oruam e esposa de "Marcinho VP", uma das principais lideranças da facção carioca.

Gama é apontada como um dos principais elos de comunicação da facção carioca entre o sistema prisional e os integrantes da organização fora dos presídios. Segundo a corporação, ela seria responsável por intermediar os interesses do CV entre os dois mundos.

A mulher conta com mais de 500 mil seguidores no Instagram e tem fotos que mostram a relação com a família.

Em uma postagem recente em que aparece abraçada com o filho, ela escreveu: "Se eu pudesse gritar para o mundo, eu diria que há tempos você não está bem. Que só você sabe as dores que sente. As marcas, as feridas, a rejeição, a falta, o preconceito… tudo isso é visível. Mas muitos escolhem não ver. Porque, antes de enxergarem o rapaz maravilhoso que você é, fazem questão de enxergar o seu pai."

Assim como a mãe, Oruam também é procurado pelas autoridades. Um outro membro da família, identificado como Landerson, que seria sobrinho de "Marcinho VP", também segue como foragido após a ação desta manhã (11).

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Prisões na operação

A operação prendeu o vereador Salvino Oliveira (PSD) e seis policiais militares. Segundo as investigações, o político teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, uma autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, área sob domínio da facção carioca.

Além dele, outros seis policiais militares foram detidos.

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"Troca de favores"

Como forma de compensação, o parlamentar teria articulado benefícios ao CV, apresentados publicamente como ações voltadas à população local. A polícia aponta que uma das ações seria a instalação de quiosques na região.

definição de parte dos beneficiários teria sido determinada diretamente por integrantes do crime organizado, sem processo público transparente.

O objetivo das negociações seria transformar territórios dominados pelo Comando Vermelho em bases eleitorais.

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Defesas

Em comunicado, o gabinete do vereador afirmou que não recebeu qualquer informação oficial sobre o ocorrido. "A assessoria jurídica já foi acionada e aguardamos esclarecimentos das autoridades competentes para compreender os fatos", diz a nota.

Na chegada à Cidade da Polícia, o advogado Flávio Fernandes, represente de Márcia, falou à imprensa que ainda não teve acesso aos documentos da investigação, mas que confia na Justiça.

A defesa também destacou que recebeu a notícia com surpresa e afirmou que Márcia estava viajando “como pessoa livre” desde segunda-feira (9). O escritório ainda informou que irá orientá-la de acordo com o que for entendido tecnicamente, mas acredita que ela irá “se entregar”, segundo o perfil dela.

Veja a nota da defsa na íntegra:

"Diante das matérias jornalísticas divulgadas recentemente, a defesa da empresária Márcia Gama dos Santos Nepomuceno vem a público reafirmar sua absoluta confiança na Justiça e esclarecer pontos importantes que vêm sendo distorcidos na opinião pública.

Márcia é uma mulher batalhadora, mãe que criou sozinha seus cinco filhos, servidora concursada, primária e sem qualquer antecedente criminal. Sua trajetória de vida sempre foi pautada pelo trabalho, pela honestidade e pela fé. Todo o seu patrimônio é devidamente justificado e compatível com seus rendimentos ao longo de anos de dedicação profissional.

Causa profunda estranheza e indignação o vazamento antiético de informações para veículos de imprensa, enquanto a própria defesa sequer teve acesso integral ao procedimento investigatório. Tal prática contribui apenas para alimentar julgamentos precipitados e a espetacularização da vida de uma mulher que, até o presente momento, não teve a oportunidade de exercer plenamente seu direito de defesa.

É importante esclarecer que Márcia ainda não se apresentou à delegacia por orientação expressa de seus advogados, que já estão adotando todas as medidas legais cabíveis e acompanhando o caso de forma responsável, para que os fatos sejam devidamente esclarecidos dentro da legalidade e do respeito ao devido processo.

A defesa também ressalta que esta investigação sequer guarda contemporaneidade com a medida excepcional que vem sendo divulgada, além de se apoiar em elementos frágeis e ilações que não correspondem à realidade.

Em 2010, Márcia já foi alvo de acusação semelhante. Na ocasião, teve sua vida pessoal, financeira e profissional profundamente devassada, foi presa e teve sua imagem exposta de maneira cruel. Ao final do processo, restou comprovada sua total inocência, sendo ela absolvida pela Justiça.

Infelizmente, mais uma vez, observa-se um ambiente de julgamento antecipado, marcado por perseguição e preconceito, direcionado contra uma mulher que sempre dedicou sua vida à família, ao trabalho e à fé.

Márcia é uma mulher de fé, que confia plenamente no Deus a quem serve. Mesmo diante das adversidades, mantém a serenidade e a convicção de que a verdade prevalecerá. Como ensina sua própria crença: quem caminha ao lado do Pai nada temerá.

A defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e tem absoluta certeza de que, assim como ocorreu anteriormente, todos os fatos serão devidamente esclarecidos e a inocência de Márcia será novamente comprovada.

A verdade prevalecerá."

O que diz a PM

Procurada pela CNN Brasil, a  Polícia Militar informou que a Corregedoria da corporação acompanhou a Polícia Civil no cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão contra seis policiais militares. Eles serão levados para a Cidade da Polícia e depois transferidos para a unidade prisional da corporação, em Niterói.

O comando da PM afirmou que "não tolera desvios de conduta ou crimes cometidos por seus integrantes" e que pune rigorosamente os responsáveis quando os fatos são comprovados.

A reportagem tenta localizar a defesa dos investigados da "Operação Contenção Red Legacy". O espaço segue em aberto para manifestações.