Mais da metade dos moradores do Rio já presenciou tiroteio, mostra pesquisa

Pesquisa Atlas revela cenário sobre segurança pública no Rio e no Brasil; crime mais presenciado em todo o país é o roubo de celular

Beto Souza, da CNN Brasil
Pesquisa Atlas revela cenário contraditório na segurança pública, comparando a experiência em favelas cariocas e brasileiras  • Montagem CNN
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Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (31) pela AtlasIntel mostra que mais da metade dos moradores da cidade do Rio de Janeiro já presenciou um tiroteio. De acordo com os dados, a troca de tiros é o segundo crime mais relatado pelos cariocas, presenciado por 56,5% dos entrevistados.

O crime mais presenciado no Rio, no entanto, é o roubo de celular, que é, inclusive, líder em todo o país.

A pesquisa mostra ainda que moradores de favelas no Rio presenciaram menos crimes do que a média nacional de moradores de favelas em outras partes do país.

O levantamento foi feito entre os dias 29 e 30 de outubro, um dia após a Megaoperação Contenção, que deixou 121 mortos no Complexo da Penha e Alemão, na zona Norte da capital fluminense. 

Os dados mostram que 64,8% dos moradores de favelas no Rio de Janeiro afirmaram ter presenciado crimes ou incidentes de segurança pública nos últimos três meses.

Embora o número seja alto, ele é significativamente menor que a média nacional para residentes de favelas, onde 70,3% relataram ter testemunhado tais eventos, sugerindo uma complexidade na percepção de violência local e regional.

Ainda de acordo com a análise, a percepção de segurança difere drasticamente para o restante da população. No Rio de Janeiro, apenas 21,7% das pessoas que não vivem em favelas presenciaram incidentes de segurança.

Já no contexto nacional, essa taxa sobe para 54,1% para a parcela da população fora das favelas, mostrando que a experiência com a criminalidade varia consideravelmente de acordo com a localização e o recorte geográfico.

Veja imagens da operação

Relembre operação

A megaoperação policial "Contenção" foi realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na terça-feira (28). A ação conjunta das Polícias Civil e Militar, que utilizou cerca de 2.500 agentes, visava combater a expansão territorial do CV (Comando Vermelho) e cumprir aproximadamente 100 mandados de prisão contra lideranças, incluindo 30 de outros estados.

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A operação resultou no saldo de 121 mortos, superando o Massacre do Carandiru e tornando-se a mais letal da história do estado e do país. Entre os 113 presos, estava Thiago do Nascimento Mendes, o "Belão", braço direito do líder do CV, "Doca". Foram apreendidas 118 armas, sendo 91 fuzis.

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O dia da operação foi marcado por intensos confrontos e "caos" na cidade, com o fechamento de escolas e desvios de transporte público.

Diante da crise, o governo federal e estadual anunciaram a criação de um escritório conjunto para intensificar a cooperação no combate ao crime organizado.